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O CARNAVAL DE PERNAMBUCO TEM MUITO MAIS DO QUE APENAS “BLOCOS’

AuthorPostado por: Paulo Fernando    Category Em: Sem categoria     Tags

*Alexandre Acioli

Brincar, participar e viver o Carnaval de Pernambuco é algo muito maior e mais prazeroso do que ouvir contar ou simplesmente ver e escutar nos noticiários da TV ou ler em jornais e revistas. Aliás, hoje, se informar através da imprensa não é o que há de melhor. Infelizmente, os diversos veículos de comunicação denominam “todas” as agremiações carnavalescas de “blocos”. Ora! Isso é prova de desconhecimento. É querer reduzir as nossas manifestações e deixar a festa superficial, pobre, limitada.

Jornalistas, radialistas, apresentadores e comentaristas precisam saber que Pernambuco é um celeiro cultural diferenciado. O nosso Carnaval tem blocos, sim! Mas a festa de Momo nesta “Terra dos altos coqueiros” tem muito mais – e diferentes – manifestações culturais e ritmos. Temos La Ursas, clubes, troças, caboclinhos, maracatus de baque virado e solto, tribos de índios, afoxés, ursos, bois, bonecos e escolas de samba, sem esquecer as tradições de muitas cidades do Interior, como os cavalos marinhos, papangus, caiporas, caretas, grupos de coco e de ciranda. Tudo isso é folia, ferve e se mistura no Carnaval… só não tem como virar apenas “blocos”.

É um erro afirmar “o bloco” do Homem da Meia Noite, “o bloco” da Pitombeira dos Quatro Cantos ou “o bloco” da Burra do Rosário. São agremiações com características distintas. Nenhuma delas é “bloco”. O Homem da Meia Noite é Clube de Boneco, a Pitombeira é troça e a Burra do Rosário é Clube de Frevo. 

O bloco lírico é diferente: originário dos anos 1920, nos bairros centrais do Recife, o seu abre-alas é o flabelo (diferente de estandarte, utilizado por clubes e troças); as suas orquestras são de pau e corda e não de metais; tocam marchas e são acompanhados por corais de vozes femininas; desfilam com abajures, se organizam em alas, damas de frente e cordões. 

Blocos são diferentes de clubes, muito mais antigos (surgiram nos anos finais do século XIX), e de troças (comumente nascidas a partir de uma história pitoresca ou de uma brincadeira entre amigos). Estas (troças) são agremiações mais simples, que desfilam durante o dia e se caracterizam pela irreverência e descontração. Até mesmo o horário de ir às ruas para alegrar o povo é um diferencial de cada uma categoria de agremiação. 

Vejam quantas diferenças! É preciso mostrá-las e nominá-las aos foliões-novos e, principalmente, aos turistas, para que não retornem aos seus locais de origem e espalhem por lá que as nossas manifestações e ritmos carnavalescos são apenas “blocos”. Por favor, não deixem que o restante das nossas manifestações fiquem nas sombras e no anonimato.  

* Este artigo está publicado na edição desta sexta-feira (28), na página de Opinião da Folha de Pernambuco

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