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POLÍTICA: O FIM JUSTIFICA OS MEIOS?

AuthorPostado por: Acioli Alexandre    Category Em: Artigos, Política     Tags

Marabá Soares

Na última sexta-feira (24), por volta das 18h, já me preparava para sair do trabalho, quando meu telefone tocou. Era um amigo jornalista, parceiro deste blog e de outros projetos, que me alertava sobre um escândalo que envolvia a política de Olinda. Ele estava viajando, e recebia mensagens pelo celular sobre uma matéria publicada no Blog de Jamildo (do Portal NE10) e me pediu para que desse uma olhada. Mesmo atrasado, pois eu ainda precisava passar na produtora para falar sobre coisas importantes do blog ‘Pernambuco é Isso aí’, resolvi religar minha máquina para saber do que se tratava.

A notícia ‘bombástica’ falava do indiciamento do prefeito da cidade, Renildo Calheiros (PCdoB), e da ex-prefeita e hoje deputada federal Luciana Santos. O assunto eu já conhecia, pois vez ou outra, em períodos eleitorais, vem à tona. E tratava-se de um inquérito penal instaurado para apurar suposta prática de delito contra a administração pública do município, utilizando convênios firmados com o Ministério dos Esportes, nos anos de 2000 a 2008, quando Luciana era prefeita; e de 2009 até os dias de hoje, na administração de Renildo. Ou seja, nenhuma novidade.

A tese que ele apresentou era a mesma que há tempos mexe com a minha cabeça. A de que o PSB nas mãos dos Campos utiliza sua influência na Justiça para aniquilar quem ameaça o seu projeto de poder em Pernambuco. É algo de podre no reino da Dinamarca (ou melhor, no reino de Pernambuco). 

Mas foi a maneira como o jornalista escreveu a matéria que me chamou a atenção. E, ali sim,  estava o escândalo. Ele não deixou nas entrelinhas o que intencionava dizer, pois o título já dizia tudo: ‘Após Antônio Campos se lançar candidato em Olinda, STF abre processo criminal contra Luciana Santos e Renildo Calheiros’. Para mim, ele não precisava escrever mais nada. Mas o jornalista Laerte Pinheiro escreveu.

MAKEm 2006, Humberto Costa (PT) estava certo no 2º turno das eleições para o Governo de Pernambuco. Aliás, era o favorito para se eleger, mas o seu indiciamento providencial pela Justiça no processo que investigava a ‘Máfia dos Vampiros’, da qual foi o denunciante, o tirou do páreo e o eleito foi ninguém mais que Eduardo Campos, presidente do PSB.

Em 2012 algo bastante parecido. O então prefeito do Recife, João da Costa, também do Partido dos Trabalhadores, era bem avaliado pela população e a sua reeleição era certa. Mas o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) pautou suas contas quando era secretário na gestão municipal de João Paulo (PT), na mesma época de acirradas prévias partidárias contra Maurício Rands (PT), então secretário de Governo de Eduardo Campos. Adversários alegavam que João da Costa ficaria inelegível, por isso não adiantava ele vencer as prévias.

Meses depois, Rands, mostrando fidelidade canina ao Palácio do Campo das Princesas, desfiliou-se do PT e desistiu do mandato de deputado federal. Eduardo Campos, vestido de cordeiro em público, agia como um lobo nos bastidores. E conseguiu eleger Geraldo Julio (PSB) para a Prefeitura do Recife, um nome desconhecido da política e da população.

Agora o inexpressivo nome de Antônio Campos, malgrado o fato de ter sido um negativo exemplo de nepotismo, já que não poderia ocupar o cargo de curador da Fliporto por ser irmão do então governador, mostra-se como grande opção na corrida eleitoral ao executivo olindense.

Voltando seus olhos de abutre à Marim dos Caetés, ele já age como agia o irmão – morto em agosto do ano passado -, utilizando de todos os meios possíveis para alcançar a vitória. Antecipando, inclusive, um debate desnecessário e fora de hora, como fez Eduardo Campos quando ambicionou ser presidente da República.

Ainda que ninguém me tire da cabeça que a sua candidatura não passa de jogo de cena para utilizar o município como moeda de troca em Recife, ele, para o bem ou para o mal, já mexe com o imaginário dos eleitores. E seus concorrentes já começam a perceber o que acontece quando um Campos ambiciona a manutenção do poder: suas garras ferem. Luciana Santos e Renildo Calheiros já começaram a sentir isso na carne.

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