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FALTA DE CONSERVAÇÃO É PROBLEMA DE IGREJAS DE OLINDA

AuthorPostado por: Acioli Alexandre    Category Em: Olinda     Tags

semNo ponto mais alto de Olinda, o conjunto formado pela Igreja de Nossa Senhora da Graça e pelo antigo seminário era usado por jesuítas para catequizar índios no século XVI. Hoje, é um dos principais exemplares da arquitetura quinhentista no Brasil. Construídas por escravos negros no século XVII, as igrejas de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em Olinda e no Recife, viraram palco de rituais afrodescendentes que deram origem ao maracatu, símbolo da cultura pernambucana. Mas quem quiser conhecer por dentro esses e outros templos que já foram cenário da história do país terá de contar com a sorte.

Com estruturas precárias, falta de segurança e poucos funcionários, a maioria das igrejas históricas de Olinda e Recife fica boa parte do tempo fechada. Em dois dias, a reportagem da Folha de Pernambuco percorreu 25 igrejas no centro histórico das duas cidades e encontrou 16 com as portas fechadas. Sete estão interditadas por problemas na estrutura, mas só três estavam em obras. As outras nove abrem só para as missas, ou não têm hora certa para abrir. 

 

bfNo último dia 11, a aposentada Beatriz Germano, de Porto Alegre (RS), foi a dez igrejas em Olinda, mas oito delas estavam fechadas. “Em uma delas, os vizinhos disseram que tem um sacristão que abre na hora que quer. É pena, a gente só vem uma vez e encontra a igreja fechada. Sou católica e gosto de entrar para conhecer por dentro”, disse Beatriz.

O presidente da comissão de cultura da Arquidiocese de Olinda e Recife, Frei Rinaldo, diz que algumas dessas igrejas deveriam estar abertas nos dias e horários visitados pela reportagem e que irá apurar por que não estavam. Nos fins de semana, elas só abrem em horário de missa. “Os centros ficam vazios, e o problema principal é a segurança. A igreja não tem condições de manter vigilantes, tampouco de dobrar a jornada dos funcionários”, disse.

spSinos silenciosos – Há dois meses, os sinos da igreja de São Pedro Apóstolo, que batiam diariamente às cinco da tarde, em Olinda, agora só soam aos domingos. O templo está parcialmente interditado. “A gente só toca nos dias de missa de enxerido, porque não pode”, disse o tesoureiro Gabriel Horácio. 

A estrutura degradada é outro problema em muitas das igrejas centenárias. Há pedaços de reboco caídos, vidros quebrados, pichação nas fachadas, infiltração e até galhos nascendo nas paredes.

Em 2013, cinco igrejas do Recife e três de Olinda foram contempladas no PAC Cidades Históricas, que destinou R$ 171 milhões a projetos de restauração no Estado. Mas, dois anos depois, só três das oito igrejas estão em obras. A responsabilidade de contratar as obras foi distribuída entre o Iphan (órgão federal do patrimônio histórico) e as prefeituras.

Segundo o superintendente do Iphan em Pernambuco, Frederico Almeida, a burocracia, equipes reduzidas e falhas nos projetos causaram atrasos. O instituto administra a reforma de três igrejas no Recife, já em obras, e uma em Olinda, que aguarda aprovação de projeto. 

A Prefeitura de Olinda informou que os projetos para as igrejas do Bonfim e de São Pedro estão prontos e que aguardam autorização para licitar as obras. 

Fonte: Folha de Pernambuco

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