O presidente do Senado Federal, senador Renan Calheiros (PMDB-AL) recebe o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para tratar da Lei de Responsabilidade das Estatais. (E/D):  senador Renan Calheiros (PMDB-AL);  presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Foto: Jonas Pereira/Agência Senado

Foto: Jonas Pereira/Agência Senado

Poupado de ter suas residências devassadas na Operação Catilinárias, fase da Operação Lava Jato deflagrada na última terça-feira (15), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), irmão do prefeito de Olinda Renildo Calheiros (PCdoB), não escapou da lupa do Supremo Tribunal Federal (STF). No último dia 09, o ministro-relator do caso, Teori Zavascki, determinou a quebra dos sigilos bancários e fiscal do peemedebista relativos ao período fiscal de 2010 a 2014.

Segundo reportagem da revista Época, duas investigações diferentes da Lava Jato em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Alagoas tentam descobrir possível envolvimento de Renan em esquema de desvio de verbas públicas.

Segundo os investigadores, o que a reportagem chama de “afilhados” do senador – Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras, e Fabrizio Neves, sócio da gestora de recursos Atlântica – podem ser o elo a comprovar eventuais desmandos dele em relação ao patrimônio público.

A reportagem lembra que Fabrizio é acusado de executar negócios que provocaram prejuízos ao fundo de pensão dos Correios, o Postalis, “feudo do PMDB no Senado”. Já Sérgio Machado, segundo os autos de um dos inquéritos em curso no STF, era o responsável por desviar, no âmbito da Transpetro, dinheiro de contratos firmados entre Petrobras e empreiteiras.

No despacho em que autoriza as quebras de sigilo, Teori Zavascki registra que um dos pagamentos teve origem em contrato de R$ 240 milhões usados na construção de 20 comboios de barcaças – no transcurso dessa licitação, empresas que a venceram fizeram doações à direção estadual do PMDB de Alagoas, capitaneada por Renan, que dessa maneira abastecia sua campanha eleitoral.

“As evidências contra Renan são cada vez mais consistentes e graves. Não por acaso, na semana passada, após o susto de terça-feira (15), ele se posicionou ao lado da presidente Dilma Rousseff. Para demonstrar apoio, Renan fez duras críticas ao vice-presidente, Michel Temer, que acaba de romper com Dilma. Apesar de Renan estar encurralado por denúncias, seu apoio é valioso para Dilma, especialmente agora que o Senado ganhou poderes para arquivar o processo de impeachment. Em troca, Renan quer proteção”, diz trecho da reportagem.