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FOLKCOMUNICAÇÃO POLÍTICA NO CARNAVAL 2016

AuthorPostado por: Acioli Alexandre    Category Em: Artigos     Tags

Sebastião Breguez – Jornalista. Doutor em Comunicação

O Carnaval, festa do riso e do deboche, é época em que as pessoas ampliam sua capacidade de comunicação e expressão para interagir o máximo nos três dias de folia. Mudam-se as identidades e papéis sociais da vida cotidiana. O povo debocha e ri de tudo. Fantasia a realidade do dia-a-dia. Mostra que o jeitinho brasileiro de comunicar é muito criativo e cheio de riqueza ímpar na imaginação popular.

pfNo Carnaval 2016 o deboche e a crítica social se concentrou na classe política. Esta marca se manifesta nas músicas de Carnaval ou sambas enredo ou marchinhas carnavalescas. O deboche e a critica social deste ano se concentrou nos políticos. Lula (PT) ganhou uma marchinha este ano – Papa Luís 51.

No ano passado teve marchinha do Aécio Neves (PSDB) com o Helicoca. Vejamos o cardápio de 2016: “Como Dilma soca soca”, “Alcunha”, “Prefeito libera o cooler”, “Adeus em ritmo de lavajato”, “Continha na Suiça”, “Eles tão metendo a mão”, “Marchinha do Pixuleco”, “O japonês da Federal”, “Quem tem Cunha tem medo”, “Mandioca pra presidenta” e outras. Isto é o espírito típico do jeitinho brasileiro de comunicar, que se baseia no riso, no deboche, na crítica social, uso de imaginação e fantasia sem limite.

O Carnaval 2016 também surpreendeu os pesquisadores porque voltou para manifestações de rua como em Belo Horizonte (MG) com a explosão de blocos caricatos. Os mineiros mostraram que não são a TFP Família Tradicional Mineira que fica no sofá da sala de estar vendo o Carnaval pela TV. Foram para a rua, criaram dezenas de blocos com temperos diferentes. Teve de tudo: de rock a música indiana, axé, brega e até jazz. A mistura mais sui generis foi do bloco Pena de Pavão de Krishna com ijexá, MPB e mantras.

Historicamente, o Carnaval de rua perdeu força na ditadura militar (1964-1984) quando o povo trocou as ruas pelo conforto do sofá com TV, com medo da repressão. Mas ressuscitou agora com a crise que impediu muita gente de viajar para locais tradicionalmente animados como Bahia, Pernambuco ou Rio de Janeiro. O Carnaval de rua tomou força em Belo Horizonte este ano. É uma nova realidade do Carnaval brasileiro. Minas passa a ter o seu espaço próprio no universo carnavalesco mineiro.

Se formos ver os sambas enredo do passado, encontramos muitas marchinhas que se adaptam à realidade social brasileira. Vejamos, por exemplo: “Máscara Negra” (Tanto riso, tanto alegria, mais de mil palhaços no salão) não ficaria bem na voz do povo brasileiro. E os milhares áulicos sempre elogiando e enredando os poderosos não poderiam cantar em uníssono, o “Cordão dos Puxa Sacos” dando vivas aos seus maiorais. A “Aurora” (Se você fosse sincera) teria na presidente uma intérprete maravilhosa enquanto a turma que está nas tetas do governo estaria muito bem representada no “Mamãe, eu quero” (Mamãe eu quero; Mamãe eu quero;  Mamães eu quero mamar; me dá a chupeta) num autêntico “mamanoduto”.

Os trabalhadores, estes, coitados, teriam que cantar o “Falta um zero no meu ordenado” (Trabalho como um louco, mas ganho muito pouco, por isso eu vivo sempre atrapalhado). A turma da Lava Jato, o ex-presidente Lula e outros possuem a sua marchinha-hino, “A água lava tudo” (A água lava lava tudo, a água só não lava a língua desta gente)… Será que a “Máscara da Face” (…deixou cair a máscara da face) não caberia bem na voz do ex-líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT).

Claro que os mensaleiros e os engajados nas propinas da Petrobrás também poderiam cantar o velha “Me dá um dinheiro aí” (…não vai dar, não vai dar, você vai ver a grande confusão). E põe confusão nisso, quase acabaram com a Petrobrás. Ainda para Dilma e sobrando mais ainda para Eduardo Cunha a eterna “Daqui não saio “ (…daqui ninguém me tira…). Para os “delatores” a eterna “Se a Lua contasse” (Se a lua contasse tudo que vê de mim e de você muito teria o que contar).

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB) cantaria bem o “Nega Maluca” (Tava jogando sinuca, uma nega maluca me apareceu, trazendo um filho no colo, dizendo que o filho era meu) enquanto o ex-presidente Lula seria um bom intérprete para “Laranja Madura” (Você diz que me dá cama e comida, boa vida e dinheiro prá gastar. O que é que há, tanta maldade faz até desconfiar). Senadores e deputados citados ou por citar na Lava Jato poderiam formar um coro e cantar a “Fica quem Pode” (Quero ver quem fica, quero ver quem sai, quero ver quem fica, quero ver quem cai).

Ainda tem outras e a lista poderia ter sido maior.

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