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ANTES DE JULGAR, FAZ O LINCHAMENTO PÚBLICO DO ACUSADO

AuthorPostado por: Acioli Alexandre    Category Em: Artigos     Tags

Agassiz Almeida – Escritor e ativista de Direitos Humanos

O que de indecência se assiste em Brasília!

Enquanto a nação se debate em grave crise político-econômica, com efeitos devastadores nas classes produtoras e trabalhadoras, as elites dirigentes se engalfinham pelo poder.

Ubi advenimus! Onde chegamos! Exclamava o Apóstolo Paulo na estrada de Damasco. Para coroar este desencontrão, as elites do país criaram esta Medusa denominada Lava Jato, cujos olhares só vêem de um lado, coordenada por um intocável julgador que desrespeita direitos, prazos processuais, tipificação de delitos e, afinal, arranca de presos aterrorizados “delações premiadas”.

No século XV, o inquisidor-mor do Santo Ofício Torquemada condenava milhares de hereges à fogueira cujos lancinantes gritos se perdiam em meio ao crepitar das chamas. Cinco séculos depois, o Torquemada tupiniquim da Lava Jato lança os acusados na fogueira dos holofotes de poderosas redes televisivas, condenando-os ao ódio da sociedade e fazendo desabar sobre eles o enxovalhamento público.

torquemada

Olhemos a Europa e os Estados Unidos como prendem e julgam acusados de crimes. Na Lava Jato, prende-os, lança-os ao Tribunal da Mídia para a condenação e execração pública e depois os julga sem apelação.

Basta! Esfarrapa-se o devido processo legal e se renega o Direito e a vida dos direitos.

Visualizemos este tão maltratado Brasil, sangrado por uma privilegiada minoria, cuja mente criou a cultura do cinismo. E por esta doutrina, haja mentiras e engodos para embair o povo brasileiro! Eis uma delas: “Que carga tributária pagamos!” Quem carrega todo o peso da carga de impostos? O consumidor final e os assalariados.

Ponha-se um basta na insensatez. Cessem as porfias de campanário e falem honestamente ao povo brasileiro. Digam que a quase totalidade dos nossos aeroportos e portos está sucateada. Que fazer? Privatize-os.

Digam que 50 mil quilômetros de rodovias estão em estado precário. Quem deve suportar o ônus com a construção de novas rodovias e reparos? As empresas de carga e transporte coletivo. Cento e cinquenta bilhões de reais são arrancados do Tesouro Nacional para manter a malha rodoviária.

Digam que os bilhões de reais gastos pelos brasileiros com compras de bugigangas e produtos superfluos nos Estados Unidos precisam ser taxados por altas alíquotas.

Paremos um pouco. Dirijo-me ao ministro Ricardo Lewandowski. Na história da humanidade o poder decisório enfeixado nas mãos de um único homem o faz um déspota ou messias. Sugiro a V. Excia., a fim de deter o espetáculo do estrelismo que faz de Themis, a Deusa da Justiça, megera de todas as paixões, para que seja constituída equipe de juízes com o objetivo de coordenar a operação Lava Jato.

Que fique esta interrogação nas palavras finais. Que excrescente processo de impeachment é este? Tem a presidi-lo um Sumo Sacerdote da corrupção e do cinismo.

Face a este tétrico cenário, os nossos antepassados no silêncio infinito de suas tumbas soluçam.

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