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SOCIALISTAS DE OLINDA DESAFIAM PSB E SE POSICIONAM CONTRA IMPEACHMENT

AuthorPostado por: Maraba Soares    Category Em: Olinda     Tags

O embate no Partido Socialista Brasileiro (PSB) contra a posição dos seus líderes, em apoiar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), tem ganhado força e mostra que as lideranças do partido adotam posições sem consultar suas bases, criando feridas que talvez jamais cicatrizem e revela uma crise existencial partidária.

Tudo começou quando o presidente da legenda, Carlos Siqueira, divulgou nota no último dia 11 de abril, orientando a sua bancada federal na Câmara dos Deputados a votar pelo impeachment. No documento, o partido argumentou, entre outros pontos, que a petista havia cometido crime de responsabilidade ao descumprir a lei orçamentária e editar decreto de aumento das despesas sem autorização do Legislativo.

No entanto, Siqueira afirmava que o PSB se posicionava de forma cristalina perante à sociedade, sua militância e seus dirigentes. Só que não foi bem assim. Parece que a militância socialista não concordou com esse ‘posicionamento cristalino’.

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No dia seguinte, um grupo de insatisfeitos produziu um movimento rebelde nas redes sociais. A comunidade ‘Militância do PSB Contra o Golpe’ foi criada no Facebook e passou a mobilizar os socialistas contra o processo de impeachment.

Esse movimento inverso deu voz aqueles que assistiam calados o partido se aliar às forças que eles tanto haviam combatido no passado, que representavam ideais e bandeiras conservadoras, e que agora tentavam tirar à força uma presidente democraticamente eleita. 

No dia 13, dois dias depois, o documento ‘Carta Aberta da Militância do Partido Socialista Brasileiro Contra o Golpe’ foi divulgado nesta comunidade. Nele, o grupo mostrava que o confronto de ideias da militância socialista com as principais lideranças do PSB seria inevitável.

O movimento terminou contaminando a juventude socialista em Pernambuco. No último domingo, dia 17 de abril, data da votação em plenário da Câmara Federal em que se decidiu pela continuidade do processo de impeachment, a presidente da JSB de Olinda, Maíra Gibson, divulgou um documento com o título ‘Juventude Socialista Brasileira de Olinda a favor da Democracia’.

Afirma, entre outros pontos, que “Nós da juventude como falado pelo saudosíssimo Miguel Arraes, é que temos o dever de puxar o partido à esquerda. Somos nós militantes, que não vivemos na escuridão da ditadura, mas que não ignoramos a memória catastrófica desse período que marcou nossa história, que iremos nesse momento marcar nosso posicionamento nesse fato histórico, lutar e resistir pelo que acreditamos, pois de nada adianta compor um espaço político se não tivermos lucidez e coragem de lutar pela justiça e pelos direitos da nossa nação. Essa luta não é partidária, mas pela Constituição e pela democracia. Fora Cunha! Fica Dilma! Arraes e Eduardo Vivem! Vamos à luta!”.

Dois dias depois seria a vez do presidente do PSB de Olinda, Tales Vital, acompanhar os rebeldes e desferir duras críticas pelo comportamento que o partido adota no contexto político atual: “PSB de Pernambuco virou um partido auxiliar do PMDB, PSDB e DEM. O PSB em Pernambuco deixa seu protagonismo da condução da política no Estado para ter um papel auxiliar do PMDB, que já tem a hegemonia dessa condução política. Os herdeiros do governador Eduardo Campos por falta de visão de médio prazo da política, resolveram jogar fora a posição de esquerda do partido, abandonar os seus tradicionais aliados no campo das esquerdas para se juntar com os históricos inimigos”, diz a nota.

Mas à frente acrescente que “o PMDB, o PSDB e o DEM, de fato, foram os protagonistas desse golpe político em processo contra a democracia do país. O papel do PSB-PE foi o de adesão a esse projeto. Os representantes do PSB na Câmara de Deputados se juntaram a Eduardo Cunha, Bolsonaro, à bancada da Bala, à bancada Ruralista e à bancada Evangélica, para aprovar o impeachment da presidente. Lamentavelmente essa é a posição em que o partido se encontra, caminhando a passos largos para a direita. A próxima cartada do PMDB, PSDB e DEM deverá ser assumir, nas próximas eleições majoritárias, a disputa pelo Governo do Estado, e o PSB vai desaparecer como força política. Erro político não tem conserto; tem só prejuízo. Parece que a tendência desse partido é de tirar o socialismo do seu estatuto e regimento”, escreveu no seu perfil no Facebook ,Tales Vital, militante do PSB há mais de 30 anos.

Numa situação de crise existencial vivido pelo PSB que toma todo o país, com perdas de lideranças históricas e de mandatos, como foi o caso da vereadora pelo Recife, Marília Arraes, neta de Miguel Arraes, e dos deputados federais Glauber Braga (RJ) e Luiza Erundina (SP), que já saíram do partido, é difícil saber o tamanho do prejuízo que esse processo vai causar.

Mas uma coisa é certa, sem a militância socialista e sem o apoio do PSB no município, já que seu presidente adotou a postura de se opor ao processo de impeachment, o pré-candidato à Prefeitura de Olinda, Antônio Campos (‘Tonca’), irmão do ex-governador Eduardo Campos e defensor ferrenho da queda de Dilma, terá imensa dificuldade em ter sucesso no seu projeto de se tornar prefeito da cidade.

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