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QUE CULTURA É ESSA?

AuthorPostado por: Acioli Alexandre    Category Em: Artigos     Tags

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Rogério de Almeida Fernandes – Auditor do (TCE-PE)

Que a cultura é algo importante para um país não há dúvida, mas o debate dos últimos dias revela a intimidade de uma classe que se distanciou do compromisso social que arte tradicionalmente exige dos artistas. Que cultura é esta que estão defendendo?

Renúncias fiscais a projetos totalmente sustentáveis, que lucram milhares por ano, patrocínios a projetos que biografam líderes petistas, auditorias do TCU apontando despesas sem comprovação no montante de R$ 3,8 bilhões. Essa foi a tônica reservada ao Ministério da Cultura e não recordo de um único inconformismo da classe artista acerca desses registros.

Entre os beneficiários de recursos da Lei de Rouanet (antiga Lei de Incentivo à Cultura), temos a aprovação do documentário sobre Brizola, enquanto o de Márcio Covas foi negado, e temos o filme que contará a história de José Dirceu, com autorização de captação para este de R$ 1,5 milhão. Inacreditáveis R$ 4,1 milhões para uma turnê de Luan Santana, sob o fundamento de “democratizar a cultura sertaneja”. Mais R$ 1,08 milhão para uma turnê do Detonautas, de Tico Santa Cruz. Até a porquinha Peppa Pig teve um pedacinho aprovado, R$ 1,8 milhão. Que cultura é essa?

Essa é a cultura que está levando artistas agraciados com recursos públicos em projetos lucrativos a gritar pela troca do formato de Ministério para Secretaria? Com um país em frangalhos, não seria lógico, razoável e necessário priorizar as demandas de primeira ordem?

A saúde do país, que já respirava por aparelhos, caminha na direção de um enterro dramático. De um ano para cá, 1,4 milhão de usuários cancelaram seus planos de saúde e migraram para o sistema público, que já não dava conta contingente menor.

Na educação, as escolas não cumprem o seu papel há tempo, e agora não mais convencem a meninada a deixar o pão com manteiga de casa, para enfrentar horas de pau de arara sem saber se será oferecido cardápio equivalente na escola, quiçá se terá algum cardápio. Como falar em cultura se a população não sabe ler, muito menos compreender, e quanto mais interpretar?

Com os R$ 3,8 bilhões “desaparecidos” apontados pelo TCU, 95 mil casas populares poderiam ter sido construídas. A quantia equivalente, a título de exemplo, a quase duas vezes o orçamento da pasta da cultura para o exercício de 2010.

O momento exige bom senso e dever cívico. O Estado Brasileiro é muito maior do que arrecada, e cortes e remodelação na estrutura administrativa são absolutamente necessários, o que não significa o fim da cultura, mas talvez a reserva de recursos para a manutenção do apoio à cultura certa. O que alguns agraciados artistas, e falsos cidadãos, alardeiam sobre a troca no formato da cultura, de ministério para secretária é um desserviço à nação que revela uma leitura egoísta e atenta apenas a negócios particulares.

Perdemos a capacidade de pensar, e é preciso reagir, urgentemente, sob pena de o Brasil virar um circo sem méritos e com a capacidade cada vez mais reduzida para acolher seus palhaços (o povo).

Fonte: Contas Públicas

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