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‘SABEM QUE TEM ESCUDO’, DIZ JUÍZA SOBRE USO DE WHATSAPP PELO TRÁFICO

AuthorPostado por: Acioli Alexandre    Category Em: Brasil, Policial     Tags

A juíza Daniela Barbosa Assunção, responsável pela decisão que determinou o  bloqueio do Whatsapp nesta terça-feira (19), disse em entrevista que o objetivo da Justiça é que o aplicativo permita que conversas juízade investigados sejam monitoradas em tempo real. Segundo a magistrada, conhecida por ser ‘linha-dura’, o crime organizado parou de usar o telefone, mais facilmente “grampeado”, para se comunicar via mensagens criptografadas no Whatsapp.

“Eles não falam mais ao telefone, só usam o zap porque sabem que tem escudo. Recentemente, tive uma audiência que envolvia uma organização criminosa onde, nos áudios que os traficantes mandavam, pediam o zap do chefe da comunidade. E, nessa última decisão, tem lá no processo que os criminosos falam: ‘Olha o zap que te mandei’. O que estamos pedindo não são gravações ou conteúdos passados, o que queremos é a interceptação em tempo real junto com a inteligência, como se faz nas ligações telefônicas. Queremos o desvio em tempo real do fluxo de dados”, revelou Daniela. 

A magistrada atacou a postura da empresa em relação aos pedidos da Justiça. Segundo ela, foram três tentativa de acessar as informações.

“Eles se colocam acima das leis do Brasil. O país está no segundo lugar no ranking de maior usuários no Whats no mundo inteiro. Então eles oferecem o serviço, lucram com isso e querem ficar às margens das nossas leis?”, indagou.

A juíza conta ainda que técnicos das polícias Federal e Civil afirmam que podem fazer esse desvio antes da criptografia utilizada no Whatsapp. “Isso seria muito mais fácil, entretanto, a empresa alega que não é possível fazer isso. Se eles querem oferecer o serviço, tem que ter tecnologia para realizar o que pedimos e cumprir a decisão judicial, porque, se não fizer, isso é obstrução à Justiça.”

Sem dar detalhes da investigação, Daniela disse que a investigação em questão é sobre uma organização criminosa que age na Baixada Fluminense.

“Temos que investigar o comando, porque a gente prende o soldado do crime e em cinco minutos tem outro no lugar. Se não formos nos líderes, não contribuímos em nada para a segurança pública”, ressaltou.

“Antes da decisão do bloqueio ser efetivada, foram feitas três notificações à empresa Facebook, responsável também pelo WhatsApp. O primeiro comunicado foi destinado à empresa que representa o Facebook no Brasil, depois, duas intimações foram pessoais, na sede do Facebook, em São Paulo”, indicou Daniela. 

As reclamações dos usuários do aplicativo não fizeram a juíza se arrepender. “A sociedade tem pensamento egoísta. Eu também uso o Whatsapp, mas as pessoas só pensam: ‘Como eu vou ficar sem meu zap?’. Elas têm que entender que as investigações são feitas para proteger a sociedade, que é a grande vítima.”

A fama de durona de Daniela lhe rendeu o apelido de Kate Mahoney, policial protagonista da série de TV “Dama de Ouro”. Em outubro do ano passado, a juíza foi agredida durante uma fiscalização no Batalhão Especial Prisional (BEP), em Benfica, na Zona Norte do Rio. Na ocasião, a magistrada teve a blusa rasgada, perdeu os óculos e os sapatos. Ela ainda foi impedida por um grupo de policiais presos de fazer a revista em uma das alas do setor ‘E’. Em suas visitas, ela verificou e proibiu regalias aos detentos. O BEP foi fechado e transferido para outra cadeia, em Niterói.

Foi Daniela também quem condenou Thor Batista a pagar R$ 1 milhão pela morte de um ciclista no Rio. O filho de Eike Batista teve que prestar serviços comunitários e ficar sem dirigir por dois anos após ser condenado pelo atropelamento, que aconteceu em março de 2012, na Rio-Petrópolis.

No final da tarde desta terça-feira, o STF (Supremo Tribunal Federal) suspendeu o bloqueio do WhatsApp e o serviço voltou ao normal. 

Fonte: Portal G1

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