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MORRE GIUSEPPE BACCARO, FAMOSO MARCHAND, CONSIDERADO O MAIS OLINDENSE DOS ITALIANOS

AuthorPostado por: Maraba Soares    Category Em: Brasil, Cultura, Internacional, Olinda, Pernambuco     Tags

Olinda perdeu na noite deste sábado (13) uma de suas maiores referências. Considerado o Italiano mais olindense, Giuseppe baccaroBaccaro chegou a Olinda nos idos de 1970, marchand que dominava o mercado de artes no Brasil, cansou de vender obras caras para colecionadores ricos e resolveu usar as obras para fazer o bem.

Em Olinda, Baccaro fundou a Casa das Crianças de Olinda, instituição para crianças carentes. Mais de 30 mil crianças foram atendidas pela instituição. Para financiar a construção da sede da instituição, Baccaro se desfaz de uma parte de seu acervo. O terreno foi comprado com a renda obtida pela venda de 120 quadros de Ismael Nery. A edificação é uma réplica de uma vila italiana. As casas abrigavam oficina, sala de aula e posto de saúde. Havia também um anfiteatro em estilo romano para 1.200 pessoas e uma hospedaria para artistas populares. Seu imenso coração o fez abrigar na Casa das Crianças, o Movimento dos Sem Terra – MST, que transformou o local em um ambiente de produção de alimentos. Hoje, o espaço que abrigava a instituição, é ocupado por centenas de moradias e conhecido como o bairro Baccaro. Além de uma das suas preciosidades, a biblioteca de 30 mil volumes, Baccaro ainda mantinha um acervo de pinturas, gravuras, mapas, cartas e autógrafos.

Giuseppe Baccaro nasceu em Roccamandolfi, Itália, em 1930. Marchand, galerista, colecionador, pintor e desenhista, chega ao Brasil em 1956. Sua primeira atividade é editar um jornal para a colônia italiana de São Paulo, o Progresso Ítalo-Brasileiro. Nele, há uma sessão de arte, assunto pelo qual Baccaro logo se interessa. Ele procura e conhece Flávio de Carvalho (1899-1973), Tarsila do Amaral (1886-1973) e Anita Malfatti (1889-1964), os quais, segundo ele, encontra esquecidos em suas casas. Inaugura sua primeira galeria em 1962, na rua Augusta, com uma exposição do pintor naif Heitor dos Prazeres (1898-1966). O nome, Selearte, é tirado de uma revista de arte italiana. No mesmo ano, realiza uma exposição de Mira Schendel (1919-1988) e em 1964, uma mostra de Rossi Osir (1890-1959).

Nessa época, os leilões dominam o mercado de arte paulistano. Inicialmente, os de maior destaque são os leilões beneficentes do Hospital Albert Einstein, que têm início em 1961. Em 1965, Baccaro abre a Casa de Leilões e, assim, passa a ter uma participação importante no mercado. 

Baccaro adquire diversas obras, de Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Victor Brecheret (1894-1955), entre outros, muitas vezes em grandes quantidades. Ele é responsável pela volta à circulação da produção de vários artistas. Nesse sentido, seu nome está ligado à obra de Ismael Nery (1900-1934). Em 1965, cinco telas de Ismael foram incluídas na sala especial Surrealismo e Arte Fantástica da 8ª Bienal de São Paulo. A partir de 1966, quando há uma individual póstuma do artista na Petite Galerie do Rio de Janeiro, Baccaro e o marchand Francisco Terranova passam a difundir sua obra. Em 1967, Baccaro publica um artigo sobre o artista no único número da revista surrealista A Phala. Ainda nessa década, Baccaro, em conjunto com o marchand Benjamin Steiner, adquire um lote de 400 desenhos de Nery. Boa parte deles é vendida a colecionadores particulares paulistas. Em 1974, Baccaro é curador da mostra Ismael Nery – 1900 – 1934, que acontece no Museu de Arte de São Paulo Assis de Chateaubriand (Masp), com 104 desenhos do artista. 

Em 1966, Baccaro torna-se sócio de Pietro Maria Bardi (1900-1999) na galeria Mirante das Artes, localizada na esquina da rua Estados Unidos com a rua Augusta. No mesmo ano, funda a galeria Art Art, que, em seguida, passa às mãos do marchand Ralph Camargo. Este último é iniciado na carreira de galerista pelo italiano: “Baccaro é o marchand que eu mais respeitei, pela sua originalidade, força e conhecimento. Ele foi o inventor do mercado de arte no Brasil”.  Mas Baccaro não se restringe à atividade de galerista: em 1968, expõe seus desenhos na Petite Galerie, Rio de Janeiro. No final da mesma década, a Galeria Art, São Paulo, expõe guaches de Chico da Silva (1910-1985). No modesto catálogo, Baccaro escreve um longo texto sobre o trabalho e sobre o artista.

Por volta de 1970, muda-se para Olinda, Pernambuco. Diz: “Eu estava cansado de vender obras caras para colecionadores ricos. Não é possível que 90% dos acervos no Brasil estejam em mãos de colecionadores particulares enquanto os museus estão à míngua”. Na Marim dos Caetés ele continua a atividade artística: em 1986, expõe pinturas no Masp. E, no final dos anos 1980, integra o Atelier Coletivo, com Gilvan Samico (1928), Luciano Pinheiro (1946), Eduardo Corrêa de Araújo (1947), Guita Charifker (1936), José Cláudio da Silva (1932) e José de Barros (1943). Na primeira mostra do ateliê, a venda das obras é destinada à Casa das Crianças de Olinda e ao Movimento dos Meninos e Meninas de Rua de Pernambuco. Em uma exposição de 1990, Baccaro apresenta a pintura a óleo Morro, do mesmo ano. Um morro, contra um céu laranja, possui divisões mais ou menos geométricas feitas por linhas grossas de tinta escura e empastada e preenchimentos também empastados em cores avermelhadas ou verdes. Está entre a figuração e a abstração.

Em 2013, O Centro Cultural Off Broadway de Olinda, localizado no Centro Histórico da cidade, produziu uma exposição itinerante em homenagem a Giuseppe Baccaro. A exposição contou com várias obras que retratam Baccaro, considerado o criador do mercado das artes plásticas no Brasil. As peças foram pintadas pelo próprio e por artistas como Edmar Fernandes, Tarcísio Oliveira, Vitório Baccaro e o italiano Divgnola. A exposição itinerante deve visitar outros locais a partir do ano que vem.

 

 

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