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OFICINA BRENNAND, MAIS DE 70 ANOS DE HISTÓRIA E ARTES

AuthorPostado por: Acioli Alexandre    Category Em: Cultura     Tags , ,

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Alexandre Acioli

O bairro histórico da Várzea, na periferia do Recife, abriga um dos mais belos e agradáveis espaços da arte brasileira. Lá funciona a Oficina Brennand, onde os amantes da arte, estudiosos e curiosos encontram expostas, em caráter permanente, as mais variadas peças, em tamanhos e estilos, do artista plástico pernambucano Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand, ou simplesmente Francisco Brennand.

bdÉ um centro de referência no cenário artístico brasileiro, um verdadeiro paraí­so dentro de um conjunto arquitetônico de grande originalidade. O artista faz questão de registrar que ali confeccionou, entre 1961 e 1962, o painel a “Batalha dos Guararapes”, um dos seus mais famosos trabalhos, representando símbolos da sua crença nos ícones da nacionalidade brasileira.

São mais de 70 anos de produção intensa, de diferentes técnicas, gêneros e estilos. Brennand envereda pelo simbolismo, as questões do universo mítico, a origem da vida, paixões e comportamentos; a condição feminina, a sexualidade (foto 2), temas ligados ao meio ambiente e às condições da vida na Terra.

Quem vai à Oficina não pode ter pressa. São cerca de 3 mil obras distribuídas em espaços temáticos. A jornada contemplativa se inicia no Pátio de Esculturas, com figuras do imaginário artístico do autor. Lá, no espaço chamado Templo, está o que ele batizou de Ovo Primordial, simbolizando a origem e reprodução da vida.

“O duplo das coisas que se reproduzem permanentemente é o centro das minhas preocupações como artista e como pensamento”, disse o artista em depoimento de 2008.

brennNo passeio, veem-se várias esculturas na fachada, como o Prometeu Acorrentado e O Quarteto de Comediantes. Na Muralha Mãe Terra encontram-se elementos da fauna e flora, serpentes (foto 3), pássaros rocas e painéis. No Salão de Esculturas está a maioria das peças e painéis criados por Brennand. Há também um anfiteatro, localizado entre os salões.

No circuito de visitação percorrem-se ainda o Lago das Sombras, onde está a escultura Árvore da Vida, o Templo do Sacrifício (uma homenagem aos povos sul-americanos – foto 4), a Coluna sem Fim (que é uma exaltação a todas as formas de vida), o Auditório Heitor Villa-Lobos, o Relógio do Sol, o Estádio, que abriga exposições itinerantes e oficinas de arte; a Praça Burle Marx, com seus bnnjardins, e a Accademia, que abriga esculturas cerâmicas, desenhos, painéis e telas.

O pintor francês Paul Gauguin é homenageado com uma praça, onde foi instalado o Cavalo de Troia. Também há obras do artista na Capela da Imaculada Conceição.

Localização – A Oficina Brennand funciona no terreno do antigo Engenho Santos Cosme e Damião, numa área remanescente da Mata Atlântica. Antes de ser transformado nesse complexo de artes, o local abrigava a Cerâmica São João, fabricante de telhas e tijolos refratários do início do século XX,  pertencente à família do artista.

Depois de ter a maior parte das suas atividades encerradas, a antiga olaria foi adquirida por Brennand, em novembro de 1971, com o objetivo de transformá-la num gigantesco complexo para abrigar toda a produção artística do escultor, pintor e desenhista.

bnDe lá para cá, o conjunto arquitetônico vem sofrendo mutações, constantemente adaptado à modernidade, mas com a preocupação de manter a originalidade (foto 5).

A administração da Oficina lembra que nos primeiros anos de execução do projeto os fornos da antiga olaria, ainda ativos, eram partilhados com outras atividades produtivas.

A preocupação do artista é conferir vida e alegria à Oficina. Mostrá-la jovem, moderna, pulsante, em constante crescimento, viva.

Criador inquieto – Em 11 de junho de 2016, Francisco Brennand completou 89 anos e continua em plena atividade. Inquieto, dedica-se à pintura, acompanha diretamente o dia a dia da Oficina, participa de eventos e trabalha na revisão do seu diário.

Brennand respira arte desde os 13 anos. Começou como pintor e desenhista. Na sua formação acadêmica, bebeu nas fontes de Murilo la Greca, mestre do afresco, e do paisagista Álvaro Amorim.

No período de 1948 a 1952 visitou diversos países da Europa, onde estudou pintura e cerâmica e teve o privilégio de conviver com os artistas Fernand Léger e André Lhote. No seu currículo acumula mais de 100 exposições (individuais e coletivas), em países como Alemanha, Brasil, Estados Unidos, Inglaterra, Itália, Portugal, Uruguai e Venezuela.

Suas esculturas, painéis e quadros ganharam o mundo e hoje decoram espaços públicos e privados no Chile, Estados Unidos, França, Inglaterra, Peru, Portugal e Suíça.

Fotos: Alexandre Acioli

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