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O SAMBA TEM LUGAR GARANTIDO EM PERNAMBUCO

AuthorPostado por: Maraba Soares    Category Em: Cultura     Tags , , ,

Um ritmo genuinamente popular, o Samba é querido em todo Brasil, ou melhor, tocado, cantado e dançado.

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Nascido como o Frevo nas entranhas do espírito do povo nordestino, o Samba ocupou o sudeste brasileiro e lá tomou como sua morada. Seu ‘Dia’, comemorado nesta sexta-feira (02), é festejado em todo país, e Pernambuco, pela tradição que tem em sambar, não fica de fora.

Em várias situações da nossa história cultural, o Samba teve sua força rítmica dominando o coração dos pernambucanos. As escolas de samba levavam inúmeras pessoas às ruas e até chegaram a existir em número maior do que as agremiações de Frevo. Varias delas fizeram sucesso no carnaval, disputando entre si o título de melhor de Pernambuco. Escolas de Samba como a ‘Império do Samba’; ‘Sambista do Cordeiro’;  ‘Deixa Falar’; ‘Estudantes de São José’; e ‘Gigantes do Samba’ fizeram ou fazem parte dessa história. 

Mas o movimento sambista de Pernambuco sofreu contendas de quem não queria ‘cariocar-se’, pois o Samba já era a referência no carnaval do Rio de Janeiro. Nas décadas de 1940 a 1970, defensores do “carnaval pernambucano” se posicionaram contra o modo de como o Samba dominava a festa de momo. Destacam-se as posições do jornalista e político Mário Melo, que chegou a afirmar que ‘o samba é carioca, portanto, indigno de existir por estas terras’; e do sociólogo Gilberto Freyre, que publicou o manifesto intitulado “Recifense sim, sub-carioca não!”. Pela força das palavras dá pra se ter uma ideia do clima de acirramento nessa época entre frevistas e sambistas pernambucanos, observe: ‘[…] A traição ostensiva às tradições mais características de Pernambuco no que se refere a expressões carnavalescas. Um carnaval do Recife em que comecem a predominar escolas de samba ou qualquer outro exotismo dirigido, já não é um carnaval recifense ou pernambucano: é um inexpressível, postiço e até caricaturesco carnaval sub-carioca ou sub-isso ou sub-aquilo. De modo que a inesperada predominância, no carnaval deste ano, do samba subcarioca, deve alarmar, inquietar e despertar o brio de todo bom pernambucano: é preciso que a invasão seja detida; e que o carnaval de 67 volte a ser espontaneamente recifense e caracteristicamente pernambucano. Se há algum calabarismo a trair o carnaval do Recife, a favor de um carnaval estranho, que seja o quanto antes dominado este calabarismo. Afinal, como se explica a repentina organização de não sei quantas escolas de samba subcarioca na Cidade do Recife? A que plano obedece tal organização? Com que objetivo ela está se perpetuando? Eleitoralismo disfarçado? Estará havendo politiquice de qualquer espécie através do carnaval? Inocentes úteis estarão em jogo? Ou colapso da tradição carnavalesca no Recife por simples e passivo furor de imitação do exótico furor tão contrário ao brio recifense […]’, escreveu Gilberto Freyre.

Mas isso são águas passadas, não existe mais essa disputa. Hoje o Samba, nascido do povo no recôncavo baiano, divide com o Frevo, nascido do povo pernambucano, as ruas do Grande Recife e de outras regiões de Pernambuco. Assim como o Maracatu; o Afoxé; e o Coco, o Samba tem seu espaço garantido. Ele tem seu movimento de sambistas pernambucanos, onde se encontra cantores como Paulo Isidoro – falecido em 2015 -, Jorge Ribas, Belo Xis e Paulo Perdigão; e escolas de samba que mantém o ritmo agitando o carnaval pernambucano, como a Gigante do Samba, Barca Furada, Viúvas de Santo Amaro, Galeria do Ritmo, entre tantas outras. Sem esquecer do grande sambista e malandro Bezerra da Silva, nascido no Recife em 1927 e que fez sucesso tocando um samba com um gingado seu, um partido alto diferente, que refletiu com humor o cotidiano do povo brasileiro. 

Dia 02 de Dezembro, o Dia do Samba:

Esta foi a data em que um dos maiores nomes da música brasileira e sambista de Minas Gerais, Ary Barroso, pisou pela primeira vez em Salvador. Ele havia composto no final da década de 1930 a música “Na Baixa do Sapateiro”, canção em que expressava todo o seu amor pelo estado da Bahia: “Eu me descobri na Bahia. Os seus ritmos, seus candomblés, suas capoeiras, sua gente (…) foram uma revelação pra mim. Fiquei de tal modo impressionado que o jeito foi exteriorizar a minha admiração através da música.” Disse ele em uma entrevista no ano de 1962. O povo da “terra de todos os santos” adotou a música de Ary como tema, pelo fato da obra ter traduzido perfeitamente a vida na região. Quando em 1963 um vereador resolveu estender essa homenagem, instituindo a data como Dia do Samba, pois que anos mais tarde se tornou data oficial em território nacional. 

No dia 27 de novembro de 1916 o compositor Donga registrava a música “Pelo Telefone”, considerado o primeiro samba a ser gravado. O gênero completou 100 anos. E para comemorar, artistas pernambucanos se unem para homenagear o Dia Nacional do Samba, celebrado nesta sexta-feira, 2 de dezembro. Representantes do ritmo em Pernambuco promovem eventos gratuitos e pagos para reverenciar o estilo musical que representa o Brasil mundo a fora. No centro da capital pernambucana, um grupo de sambistas fará uma grande roda de samba encabeçada pelo veterano Belo Xis, a partir das 17h, no Pátio de São Pedro. O evento marca também o Dia Municipal do Samba do Recife, um projeto que virou lei em 2012. Este será o 19º encontro de sambistas onde participam nomes como Luísa Pérola, Ramos Silva, Wellington do Pandeiro, Carlo Gill, Gabi do Carmo, Diná, Ana Morais, Cibelly do Cavaco, Cibele Alves e outros.

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