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Quase mil detidos na Rússia em protestos contra a corrupção

AuthorPostado por: Jornalismo Redação    Category Em: Internacional     Tags ,

O opositor russo Alexei Navalny e quase mil de seus partidários foram detidos nesta segunda-feira (12) antes do início de um protesto anticorrupção não autorizado no centro de Moscou, num dia de mobilizações em todo o país.

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Após uma mobilização que teve uma grande adesão em 26 de março, milhares de russos, muitos jovens, foram às ruas em dezenas de cidades, incluindo perto do Kremlin em Moscou, onde a tropa de choque tentava dispersar a multidão.

A ONG russa OVD-Info indicou à AFP que contabilizou ao menos 600 detidos em Moscou e 300 em São Petersburgo. Outras detenções aconteceram em cidades no interior, de Vladivostok (extremo-oriente) em Norilsk (norte), passando por Sochi (sul), indicou no Twitter.

Alexei Navalny, que pretende disputar contra Vladimir Putin a presidência russa na eleição de março de 2018, foi detido quando saía de casa, informou sua esposa no Twitter. “Olá, sou Yulia Navalnaya. Alexei foi detido na entrada do prédio. Pediu que informasse que nossos planos não mudaram: Tverskaya”, escreveu, uma referência à rua do centro de Moscou onde está prevista a manifestação.

A polícia confirmou que deteve o opositor, que será apresentado a um juiz por violar as regras de organização de manifestações e por se recusar a obedecer as forças de ordem. Segundo seu advogado Vadim Kobzev ele corre o risco de ser condenado a 30 dias de detenção administrativa. O blogueiro, cujos vídeos investigativos compartilhados nas redes sociais denunciam a corrupção das elites e oligarcas, convocou protestos em toda a Rússia para esta segunda-feira, feriado, quando o país comemora a sua independência em 1990 antes da queda da União Soviética.

Em Moscou, a concentração prevista para as 11h00 (8h00 em Brasília) foi autorizada ao nordeste da cidade, mas Alexei Navalny decidiu, poucas horas antes, transferir o protesto para a avenida Tverskaya, onde estavam previstas várias atividades relacionadas com o feriado.

De acordo com o opositor, a prefeitura de Moscou tentou impedir que todos os fornecedores da cidade alugassem um palanque e equipamentos de som para sua equipe. No momento do início dos atos, Vladimir Putin entregava a estudantes no Kremlin suas carteiras de identidade.

Nos arredores do palácio presidencial, os jovens, incluindo muitos menores de idade, eram numerosos na manifestação.

O opositor número 1 do Kremlin surpreendeu em 26 de março ao levar às ruas dezenas de milhares de pessoas, incluindo muitos jovens que conheceram apenas Putin no poder, em toda a Rússia. Esta mobilização, de escala sem precedentes em vários anos, aconteceu após a publicação pela equipe de Navalny de um vídeo acusando o primeiro-ministro Dmitri Medvedev de liderar um império imobiliário financiado pelos oligarcas.

Antes das manifestações desta segunda-feira, a equipe de Alexeï Navalny e a ONG Human Rights Watch denunciaram a pressão por parte das universidades e escolas para dissuadir os jovens a protestar, por vezes com ameaças de expulsão.

No final de maio, a presidente do Senado Valentina Matvienko indicou que o Parlamento estava considerando proibir menores de idade de participar em manifestações não autorizadas, sob pena de sanções para os pais.

Fonte: Folha PE

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