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Recife registra dois casos suspeitos da doença da “urina preta”

AuthorPostado por: Acioli Alexandre    Category Em: Saúde     Tags ,

Pernambuco registrou dois casos suspeitos da Doença de Haff. A enfermidade ganhou notoriedade no Brasil ano passado por estar relacionada ao sintoma de urina preta, aliada a fortes dores musculares (mialgia aguda) e altos níveis da enzima CPK. O mal está relacionado com a ingestão de peixes contaminados por toxinas de algas ou corais. Os dois pacientes deram entrada no Real Hospital Português (RHP) no dia 14 de julho.

doença da urina pretaO policial Maviael da Silva e a professora Arleide Guerra – casados e com 49 anos de idade – compraram um pescado no bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife, o consumiram durante uma refeição em casa e horas depois apresentaram os sintomas. Ele passou sete dias internado e já teve alta. A esposa teve insuficiência renal e precisou de hemodiálise, mas tem quadro estável. 

O infectologista Filipe Prohaska comentou que o casal, quando deu entrada na unidade hospitalar, passou por uma triagem de leptospirose. Só depois, com a exclusão de sintomas semelhantes e o histórico de consumo de pescado, se chegou à hipótese de Haff.

“Houve uma desconfiança de leptospirose porque as duas doenças se assemelham em alguns pontos. Mas eles não tinham febre. Tinham dores no corpo, o índice de CPK muito alto (que mede lesão muscular) e a urina escura”, contou o médico, acrescentando que a professora deve se recuperar bem apesar do acometimento renal temporário. A expectativa é que ela não fique com sequelas. 

Prohaska comentou que a Doença de Haff, geralmente, aparece em surtos. Foi assim em episódios na Amazônia e mais recentemente na Bahia. Em Pernambuco, não há registros oficiais sobre a enfermidade. O núcleo de Epidemiologia do RHP já notificou verbalmente à Secretaria Estadual de Saúde (SES) os casos suspeitos. 

O surto da misteriosa doença do “xixi preto” na Bahia começou em dezembro de 2016. Até março de 2017, foram notificados mais de 70 casos e duas mortes. O infectologista Antônio Carlos Bandeira fez parte da força tarefa de pesquisadores que descobriram a implicação da Doença de Haff nos quadros de mialgia.

“Esta foi a primeira vez que a enfermidade foi reportada na costa brasileira. Depois de casos na Bahia, tivemos alguns no Ceará. Em Salvador, a grande maioria dos casos estava relacionada ao consumo de Olho de Boi. Tudo indica que essa toxina, de algo que o peixe se alimenta, fica na carne do peixe e resiste ao cozimento ou fritura. Não se degrada pelo calor”, contou.

Fonte: Folhape – Renata Coutinho

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