ago
5

MPPE questiona decisão de soltar líder religioso acusado de estupro

AuthorPostado por: Jornalismo Redação    Category Em: Olinda     Tags

Faltando 22 dias para o julgamento de um líder religioso acusado de estuprar uma jovem de 18 anos em 2015, a promotora da 3ª Vara Criminal do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Henriqueta de Belli, questiona a decisão do desembargador Fábio Eugênio Oliveira Lima que mandou soltar o homem no dia 2 deste mês. A prisão do ex-integrante da Igreja Batista de Rio Doce, de 31 anos, se deu pelas diversas ameaças que a vítima e sua família sofriam desde março deste ano. Com a soltura, a promotora se preocupa com a segurança da jovem.

Segundo a garota, o acusado foi até a casa dela no dia 28 de dezembro de 2015 sob o pretexto de chamá-la de volta às atividades de culto, das quais ela havia se afastado. Ele alegava que havia o burburinho de que ela estaria de namoro com outra mulher. Na ocasião, os dois estavam sozinhos na casa e o acusado teria pedido para ir ao banheiro. De lá, ele teria saído nu e com o pênis ereto, inclusive usando preservativo. O homem arrastou-a para o quarto e iniciou a prática da violência sexual, alegando que o estupro seria “para ela começar a gostar de homem”.  Ela somente falou aos pais em março de 2016, quando soube que uma outra mulher havia sido vítima de abuso cometido pelo mesmo homem. 

“O acusado, durante o ato sexual cometido mediante violência, afirmou que estava fazendo aquilo para ver se a vítima deixava de gostar de meninas. Além disso, a ameaçou, ordenando que a mesma ficasse calada, já que ninguém acataria a versão dela sobre estupro. Ela disse que ficou, por meses, tomada por angustia e pânico, escondendo-se de todos, até que revelou a duas amigas que a incentivaram a buscar ajuda junto aos pais e a polícia. Desde então, a vítima e familiares passaram a sofrer na comunidade, na igreja e demais locais, todo tipo de constrangimentos e ameaças, tendo o acusado lhe remetido recados intimidatórios através de terceiros e de parentes. A jovem, acompanhada dos pais, procurou providências junto à Justiça. O MPPE recebeu os autos da Polícia Civil com indiciamento por estupro e fez a denúncia em setembro de 2016. Porém a prisão preventiva decretada em desfavor do mesmo durou apenas alguns dias”, lamentou a promotora.

No relato ao MPPE, a moça chorou muito e se declarou perseguida pelos fiéis da igreja, que defendem o religioso. “Ela conta que vive sendo xingada em locais públicos e até mesmo na escola”, pontuou a promotora de Justiça Henriqueta de Beli. Ainda denunciou que ele tentou atropelá-la há algum tempo. A perseguição promovida pelo religioso teria durado alguns meses, até ele ser preso preventivamente em 17 de julho passado. Porém o acusado foi solto na última quarta-feira (2), por efeito de liminar.

“Como o habeas corpus foi decidido em liminar, a gente gostaria muito que, no mérito, os desembargadores analisassem, realmente, os motivos que levaram a juíza a decretar a prisão dele. Porque ela [vítima] vinha revelando dificuldades de viver na comunidade e também medo de que algo grave acontecesse com o acusado solto. Inclusive, houve uma situação bem específica antes da prisão que ele estava conduzindo o carro em via pública, visualizou ela e jogou o carro nela”, pontuou. Segundo a promotora, as ameaças começaram logo após o homem descobrir o processo penal em andamento. No mesmo período ele foi expulso da igreja. “Ele começou a direcionar ameaças de morte. Ele também hostilizava ela através de amigos e frequentadores da igreja. Ela já estava com dificuldade de ir à padaria e de frequentar a própria escola”, conta.

Sem data definida, a promotora se apega a sessão de apreciação do mérito da prisão preventiva pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). No encontro, o colegiado de desembargadores pode voltar atrás da decisão emitida no dia 2 deste mês.

“Esse tipo de decisão acaba desestimulando as vítimas de denunciarem seus agressores. Nós temos um alto índice de desistência também pelas dificuldades que as vítimas têm no acesso à Justiça e nos órgãos públicos. Dificuldade em ser ouvida nas suas demandas de insegurança e proteção. Esse tipo de demanda que viola vários direitos, que envolve uma possível homofobia, machismo e misoginia, é um crime que precisa, de fato, ser coibido pela Justiça de forma muito objetiva para, justamente, incentivar que outras vítimas possam denunciar e se sentirem acolhidas pelo sistema”, concluiu.

Envie um comentário

Redes Sociais:

senai-dez

sesi-dez

Anuncio-gif OH

pernambucont


Olinda Hoje no Facebook:

Previsão do Tempo:

Favoritos

Categorias do Blog:

Mapa do Site:

Arquivos do Blog: