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Desapropriação da casa de Capiba no Recife surpreende viúva

AuthorPostado por: Jornalismo Redação    Category Em: Cultura     Tags , ,

Colocado à venda pela viúva de Capiba, Maria José Barbosa, mais conhecida como Zezita, o imóvel localizado na rua Barão de Itamaracá, nº 369, no bairro do Espinheiro, Zona Norte da cidade, tornou-se objeto de um pedido de tombamento, protocolado, nesta segunda-feira (2), pelo advogado Antônio Campos (Tonca), irmão do ex-governador Eduardo Campos, junto à Secretaria de Cultura de Pernambuco. Horas depois, o Governo enviou um comunicado à imprensa anunciando que a antiga residência do casal será incorporada ao patrimônio do Estado “com o objetivo de preservar e manter a memória artística de Pernambuco”. O decreto do governador Paulo Câmara está publicado na edição desta terça-feira (3) do Diário Oficial.Zezita, que tem 85 anos de idade e mora atualmente em Surubim – também município natal de Capiba, localizado a 123 km da capital pernambucana -, afirma que não foi consultada a respeito de nenhum dos dois assuntos. Inicialmente, ela não reconheceu e nem aceitou o pedido de tombamento do imóvel, construído em 1948 pelo casal, que viveu no local até a morte do artista. Sobre o decreto de desapropriação, ela disse estar chocada.
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Segundo a viúva, Capiba era amigo dos pais de Antônio Campos e fez música com versos do pai dele, a peça em três movimentos “Sem Lei Nem Rei”, título do romance do poeta Maximiano Campos, publicado pela Editora O Cruzeiro, em l968, considerada um dos marcos do Movimento Armorial. O ex-governador Miguel Arraes, avô materno de Antônio, era também muito amigo de Capiba. “Até agora, não fizeram nada. Agora, que está esse ‘auê’, querem tombar. Coisa nenhuma. Eu não consinto. Não aceito o tombamento da casa”, afirmou Zezita, em entrevista por telefone, de Surubim, no Agreste de Pernambuco, cerca de 120 km do Recife. “Quero saber quanto vão me pagar. Também não sei por que essa confusão toda.”

A viúva do compositor explica que é pensionista, recebe cinco salários mínimos, e o aluguel da casa ajuda no cumprimento de suas despesas, inclusive da Associação Cultural Capiba, também em Surubim. Nas últimas décadas, ainda de acordo com ela, ninguém se propôs a ajudá-la a preservar a memória do marido. “Pensava que iam se interessar em fazer um memorial, alguma coisa assim, como fazem com os outros”, lamentou. Para a própria associação, ela contou que há dois anos foi prometido apoio da Prefeitura e do Governo do Estado. “No início, o Conservatório [Pernambucano de Música] ajudou muito. Depois, faltou verba e fiquei pagando dois professores de teoria [musical] por minha conta, até hoje”, disse.

Além da associação, Capiba dá nome a duas praças no Recife, uma na esquina das ruas do Futuro e Edgar d’Amorim, no bairro das Graças, na área central, e outra entre as ruas Manoel Brandão, Urca e Pará, no bairro de Cajueiro, na Zona Norte, viabilizada por iniciativa dos próprios moradores e inaugurada este ano. “Aqui em Surubim tem uma rua com o nome dele e o prefeito anterior, antes de sair, me deu um terreno para fazer um museu. Quando vai sair, não sei. Os próprios museus do Estado não têm verba”, comparou. “Museu não é mais abrir uma sala e colocar um monte de bagulho dentro”, analisou.

Avaliado em R$ 2 milhões, o imóvel do Espinheiro teve sua venda suspensa, frente à polêmica, mas continua disponível para aluguel, com uma condição: que o locatário mantenha sua estrutura original.

Fonte: Folha PE

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