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AMARO BRANCO PEDE AJUDA AO MINISTÉRIO PÚBLICO

AuthorPostado por: Paulo Fernando    Category Em: Sem categoria     Tags

A Comunidade do Amaro Branco, em Olinda, entregou formalmente ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) um documento pedindo o tombamento do bairro como quilombo urbano.

O documento foi entregue diretamente ao procurador-geral de Justiça, Aguinaldo Fenelon de Barros, na manhã desta quarta-feira (12), na Escola Sagrado Coração de Jesus, durante a realização do projeto ‘Ministério Público nas Ruas’. Além do procurador-geral de Justiça, também compuseram a mesa a subprocuradora-geral de Justiça em Assuntos Administrativos, Lais Teixeira; a coordenadora do Grupo de Trabalho sobre Racismo (GT Racismo), procuradora de Justiça Maria Bernadete Azevedo; o secretário-geral do MPPE, promotor de Justiça Carlos Guerra; o secretário-executivo de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Pernambuco, Jorge Arruda; e o diretor em exercício da escola, Luciano Pereira.

Na abertura do evento, o professor Arnaldo Filho fez uma explanação a respeito da história dos negros e escravos no País. O coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça (Caop) de Defesa da Cidadania, promotor Marco Aurélio Farias, saudou a todos e destacou a riqueza cultural do bairro. Ele convidou o Grupo de Coco do Amaro Branco a fazer uma apresentação, juntamente com Dona Glorinha do Coco, que, aos 78 anos, é a primeira integrante da comunidade a gravar um CD do ritmo. Ao grupo juntou-se Dona Ritinha da Garrafa, 82 anos, que dança equilibrando uma garrafa com água na cabeça. “O ato de dançar com a garrafa na cabeça é remanescência dos negros escravos que foram enviados para trabalhar na pecuária em Goiás e essa dança chama-se Sussia”, explicou o professor Lepê Correia.

Na ocasião, o procurador-geral de Justiça disse ter ficado emocionado com a riqueza cultural da comunidade e com o amor e vitalidade das idosas que preservam a cultura do coco. “Cada vez mais estou convencido que este projeto ‘Ministério Público nas Ruas’ é real. Quando abracei o projeto, alguns não compreenderam o sentido dele, mas a cada dia que passa vejo que ele é muito profundo, porque a gente só ama aquilo que conhece. Por isso, o MPPE precisa se aproximar da sociedade: para conhecê-la e se apaixonar. É necessário que cada promotor de Justiça conheça aquilo que vai defender”, disse. Ele ainda destacou que é só ouvindo o que a sociedade tem a dizer que o MPPE pode entender melhor as necessidades da população e que essa forma de trabalhar é inovadora. “É o mesmo Ministério Público, mas com um olhar diferente: inovador”, explicou.

A coordenadora do GT Racismo destacou que não perde a oportunidade que tem de se aproximar da população. “Chegar junto e conhecer faz toda a diferença”, disse Bernadete Azevedo. O professor de História, Arnaldo Filho, destacou o evento como “um momento de reconhecimento de que a comunidade, que leva o nome de um pescador, merece o título, pois possui cultura e história vivas e a partir do momento que formos reconhecidos como quilombo urbano uma série de políticas públicas será implantada beneficiando não só o Amaro Branco, mas todo o entorno”, previu.

O morador da comunidade, Rufino de Barum, fez a entrega solene ao procurador-geral de Justiça do projeto de tombamento da região, que foi posteriormente entregue ao secretário Jorge Arruda. “Esse documento deve ser avaliado por toda uma equipe e nós iremos repassá-lo para as instituições que têm atribuição para tomar essas decisões, que é a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e Fundação Palmares”, explicou. Outros integrantes da comunidade também tiveram a oportunidade de expor suas opiniões e cobrar a implantação de ações e políticas de responsabilidade dos poderes públicos.

O secretário-geral do MPPE fez o encerramento do evento, destacando ser olindense de coração, já que reside na cidade desde os cinco anos de idade. “Sinto-me muito feliz em participar dessa reunião que marca os primeiros passos para a definição de mais um quilombo urbano em Olinda. Fico satisfeito em fazer parte dessa descoberta, principalmente, porque foi o MPPE que me proporcionou conhecer melhor a cidade onde vivo. É assim que o Ministério Público tem que trabalhar: próximo à população; nas ruas, de verdade. Para mim, este é um momento histórico e inesquecível”, emocionou-se. Para fechar o encontro, o ritmo típico da comunidade embalou o público presente.

Veja mais:

http://www.mp.pe.gov.br/index.pl/20121212_amaro_branco2
http://www.olindahoje.com/2012/12/amaro-branco-recebe-projeto-mppe-nas.html




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