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DESCARACTERIZAÇÃO DO SÍTIO HISTÓRICO

AuthorPostado por: Paulo Fernando    Category Em: Olinda     Tags

Casas coloridas ou protegidas por gradios desrespeitam a História
Mônica Melo


Durante a folia de Momo, no desce e sobe das ladeiras de Olinda, poucos devotam o mesmo entusiasmo com que frevam à contemplação da paisagem urbana do sítio histórico da primeira capital de Pernambuco. De certa forma, resulta até compreensível a indiferença do folião quanto às características dos monumentos da cidade que lhe renderam a concessão, em 1982, pela Unesco do título de Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.
Hoje, boa parte do casario não mantém o aspecto original registrado no levantamento realizado pela entidade. Especialistas na área advertem com relação ao risco de se perder, por meio dessa reconfiguração das fachadas das casas, tão relevante título ostentado pela primeira Capital Brasileira da Cultura.
Segundo o professor de História da Arquitetura no Brasil José Luiz Mota Menezes, Olinda se tornou referência para Unesco por preservar o desenho urbano do século XVI e pela volumetria representada pelas moradias e Igrejas (Igreja do Carmo, de Nossa Senhora da Graça, Igreja da Sé). No entanto, basta um passeio rápido pelas ruas do centro histórico olindense, para quem tem fôlego, claro, e logo saltam aos olhos residências que não guardam mais as características consideradas pela entidade quando do tombamento do sítio histórico.
Cores em tons fortes enfeitam a fachada das pequenas casas em evidente harmonia com o Carnaval. Mas originalmente as casas eram brancas ou mantinham cores pálidas na fachada.
Outro elemento que se tornou comum entre essas moradias na contemporaneidade foi a instalação de grades nas portas e janelas. Nas ruas 27 de janeiro e 13 de maio, a paisagem é marcada por residências protegidas por grades de ferro. Com relação a essas modificações na imagem urbana, Menezes se considera favorável a mudanças realizadas no espaço interno da casa, adaptando-o à vida moderna. Mas se diz contrário à alteração na parte externa por ser ávido defensor da fruição estética. “Se é colocado gradio e modificada de tal modo a pintura, consente-se que se altere o título de Patrimônio”, alerta o professor. “As grades poderiam ser colocadas dentro da casa. Assim sendo, a justificativa da segurança não tem consistência”, completa.
Para o arquiteto Alexandre Mesquita, o interessante é a realização da manutenção, pintura, troca das vidraças, mas de modo a preservar o aspecto original feito no levantamento pela Unesco. “Como isso não se vê com frequência, pode-se dizer que o aspecto turístico e artístico prevalece sobre o histórico”, afirma.
Cabe ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), portanto, incrementar a fiscalização a fim de que turistas e pernambucanos possam continuar tendo uma leitura urbana histórica de Olinda.

Fonte: Folha de Pernambuco – Domingo – 18.01.2009

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