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HORTO D’EL REY ESQUECIDO

AuthorPostado por: Paulo Fernando    Category Em: Olinda     Tags

Alexandre Acioli

A população conhece pouco o nosso patrimônio e aqui citamos o exemplo do Horto D’El Rey. Quem e quantos o conhece, em Olinda?
O Horto D’El Rey, o segundo Jardim Botânico do Brasil, criado pela Carta Régia de 17 de novembro de 1798 (semelhante ao que se havia criado no estado do Pará) é completamente desconhecido da maior parte dos pernambucanos, dos olindenses e dos turistas que ali chegam diariamente.
Situado na propriedade conhecida como ‘Sítio dos Manguinhos’, entre o Alto da Sé e as terras do Convento da Conceição, no Bonsucesso, os 260, 1 mil metros quadrados de área verde do horto, hoje é um espaço privado pertencente à família Aldir Maia, do (antigo) Banco Industrial.
O horto, que teve o seu tempo áureo entre 1826 e 1830, quando chegou a possuir mais de mil espécies, poderia ser resgatado, mantido, preservado e destinado à visitação e contemplação dos olindenses e turistas. Mas, pelo contrário, está escondido pelas casas de venda de artesanato erguidas na Rua Bispo Coutinho, lateral à Igreja da Sé. Pior: a maior área privada dentro de um patrimônio histórico do mundo, o antigo Horto D’El Rey está sendo invadido por edificações e tomado pelo lixo.
A Prefeitura de Olinda bem que poderia desapropriar a área e fazer voltar o antigo jardim botânico. Desapropriado, aquele espaço poderá ser explorado com trilhas ecológicas; utilizado para atividades de educação ambiental de alunos das escolas públicas e privadas da cidade e as universidades poderão realizar inúmeras pesquisas sobre a fauna e a flora da região.
A história do país registra que as plantas introduzidas aqui no Brasil eram aclimatadas ali, naquele horto, e disseminadas a partir dele, a exemplo do que ocorreu com a fruta-pão, o cravo e o gengibre.
Sendo uma área de proteção ambiental, por que a Prefeitura de Olinda não resgata a função original do que hoje se chama Sítio dos Manguinhos? Por que não desapropriá-lo e transformá-lo em área de proteção permanente e/ou de interesse coletivo? Extinto o direito privado sobre a propriedade, o espaço poderá ser transformado em reserva florestal aberta à visitação pública e terá a função social de propulsora da consciência ecológica de crianças e adolescentes, de adultos e de grupos da ‘melhor idade’.
Lembro-me bem que durante as comemorações dos 473 anos de fundação de Olinda, em 12 de março do ano passado, o secretário estadual de Turismo, Sílvio Costa Filho, prometeu que o Alto da Sé, tradicional ponto turístico de Olinda, será requalificado com a instalação de um elevador panorâmico, o ordenamento do comércio e a liberação da vista para o Horto D’El Rey.
Naquela oportunidade, foi assinada (até) a ordem de serviço para a realização das obras, que prevê a reestruturação da área e a reforma da caixa d’água (primeira construção em estilo moderno com combogós do país), que será transformada num mirante, com elevador panorâmico e a instalação de um guarda-corpo, possibilitando que os visitantes tenham acesso à vista do Horto.
Mesmo com esse conjunto de obras por vir, acreditamos que o poder público poderá fazer mais em favor do antigo D’El Rey. Insistimos na necessidade da desapropriação daquele Sítio e a transformação da área em reserva florestal urbana. Esse, sim, será um grande passo no trabalho de preservação ambiental e de conscientização ecológica da nossa gente.

Fonte: Diário de Pernambuco – Editoria Opinião – 23.04.2009

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