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MAC-PE ABRE TRÊS EXPOSIÇÕES NESTA QUINTA-FEIRA

AuthorPostado por: Paulo Fernando    Category Em: Sem categoria     Tags

Há artistas que trabalham como uma criança que une os traços de um desenho para criar o seu contorno. Antes de mais nada, eles têm a ideia. Fazem o esboço em sua cabeça ou no papel e só então, já com o resultado em mente, lançam as tintas na superfície ou modelam suas esculturas. Jairo Arcoverde e Fernando Ferreira de Araújo, que abrem exposições individuais amanhã, às 19h, no Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC -PE) fazem exatamente o contrário. Eles são aquelas crianças que até têm os traços pontilhados à sua disposição, mas os extrapolam, criam novas formas, unem os pontos aleatoriamente. 


“Passo três ou quatro dias só olhando para a tela em branco. Meu tempo de pintura não é superior a um dia. Sempre fugi de retratos, de técnicas ensinadas nas escolas de arte. Gosto da liberdade de expressão, criei meu próprio universo. E ele se expande como bem entente”, explica Jairo, que expõe no MAC a série “Elogio da loucura – tributo a Erasmo de Rotterdam”. São 40 telas em acrílico que trazem marcas registradas desses mais de 40 anos de carreira do pernambucano: o abstrato, as cores marcantes, a luminosidade, o traço emotivo, quase infantil, quase louco. 


O título, é claro, nasceu depois da série pronta. “Esses trabalhos datam do ano passado e desse ano. Fui pintando, pintando e quando surgiu a oportunidade de expor, veio a necessidade de titular. Nem sempre dou nome às minhas peças, mas eu pensei que esse livro de Erasmo de Rotterdam tem muito a ver com minha arte e é uma obra que não sai da minha cabeceira. Daí a homenagem”, explicou. De fato, além da louvação à loucura propriamente dita, ambos sustentam com maestria um tom sarcástico que ensolara até as temáticas mais sombrias – e o tema, para Jairo, é segundo plano. 


“Mindscape”, de Fernando Ferreira de Araújo vai pelo mesmo caminho. Assim como “Humanscape”, que o artista apresentou no Recife em 2010, a exposição é permeada por uma profusão de desconstruções que revelam seu espírito inquieto. Se na última mostra na Cidade, ele inovou no suporte de madeira para suas pinturas, dessa vez a novidade é ter escolhido o papel. “Passei o último ano inteiro dedicado a criar texturas no papel, o que é algo bastante delicado devido a quantidade de sobreposições, de camadas de tinta e colagens que utilizo no meu trabalho”, explica o pernambucano, que hoje se divide entre São Paulo e Nova Iorque. 


Nas 14 peças apresentadas no MAC, ele realiza um passeio ao seu inconsciente, resgatando paisagens que ele mesmo não consegue precisar para, de forma poética e sob forte influência expressionista, instigar no observador uma nova dimensão. “Essa série tem uma ênfase especial nos grafismos, que cortam a matéria. É como se eu colocasse minha própria mente na pintura. Mas cada um lança sobre ela sua interpretação”, afirma. Nas palavras dele, tanto para quem faz, quanto para quem vê, “o que é arte, se não a mera desconstrução das muitas facetas de nós mesmos para revelar nossos aspectos mais profundos e adentrar o desconhecido”?


Fonte: Folha de Pernambuco – 03.04.13

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