nov
17

Mais uma morte de bebê e denúncia de violência obstétrica praticada no Hospital Tricentenário, em Olinda

AuthorPostado por: Acioli Alexandre    Category Em: Olinda     Tags , ,

O sonho de ser mãe de Larissa Ferreira da Silva, 20 anos, foi bruscamente interrompido quando Lunna, sua primeira filha, morreu após um trabalho de parto de quase três dias e idas e vindas a hospitais em busca de um leito. Larissa registrou Boletim de Ocorrência (20E0116001845) acusando o Hospital Tricentenário, em Olinda, de negligência médica e violência obstétrica.

“Eu tive meu sonho de ser mãe frustrado por negligência médica“, disse Larissa. Segundo o laudo do hospital, ao qual a reportagem obteve acesso, a gestante foi submetida a parto cesáreo de urgência para realizar a “extração de feto feminino sem vitalidade”. O documento acrescenta que a bebê não respondeu às manobras de reanimação.

O Boletim de Ocorrência (BO) foi registrado na Delegacia de Polícia de Rio Doce, em Olinda. Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco informou que segue investigando o caso. A ocorrência foi registrada na última quinta-feira (12), quatro dias após a morte da menina. O BO qualifica a ocorrência como negligência médica, sob responsabilidade do Hospital Tricentenário. Larissa, que ainda sente fortes dores, além do luto, ainda não prestou depoimento.

A via-crúcis de Larissa para ter sua filha começou quando ela passou a sentir fortes dores de contração, no último dia 06. Grávida de 40 semanas e três dias àquela altura, a jovem afirma que não queria procurar o Tricentenário, localizado perto da sua residência, por conhecer a “fama de matadouro“, em referência às denúncias recorrentes envolvendo o hospital.

Primeiro, Larissa foi até à Maternidade Professor Barros Lima, em Casa Amarela, na Zona Norte do Recife. “Lá o médico foi muito ignorante comigo, disse que as dores que eu estava sentindo não eram dores de contração e que a minha bolsa ainda estava íntegra, que eu estava com dois centímetros de dilatação e que eu podia ir para casa e aguardar o verdadeiro trabalho de parto”, contou.

Ao voltar para casa, as dores não paravam e Larissa não conseguia comer nem beber nada. Ela terminou procurando atendimento no Tricentenário pois “não tinha outra opção”. “Chegando lá, eu estava com quatro centímetros de dilatação, a bolsa estava íntegra, mas a médica me encaminhou para o [Hospital] Agamenon [no Recife] porque não tinha médico para realizar parto no dia”, acrescentou Larissa.

No Hospital Agamenon Magalhães, em Casa Amarela, na Zona Norte do Recife, Larissa conta que tomou remédio na veia para aliviar a dor. “A doutora disse que não eram dores de trabalho de parto, mas porque a criança encaixou. Aplicou a medicação e disse que a dor ia passar, mas não passou e eu cada vez mais fraca, não conseguia comer nada, tudo que botava para dentro vomitava e estava perdendo muito líquido, um líquido esverdeado”, continuou Larissa.

A jovem, então, voltou para a Barros Lima e relata ter sido atendida pelo mesmo médico: “Ele só falava e não escutava e disse para eu ir pra casa. Não ia me internar porque eu estava com quatro centímetros e sem dilatação. Disse que era para eu ir pra casa e aguardar o trabalho de parto em casa. Voltei para casa, não tinha o que fazer”.

Larissa retornou ao Tricentenário, onde finalmente foi internada por volta das 23h do dia 07 de novembro. Ela relata que passou a madrugada gritando e implorando para que alguém fosse vê-la por não aguentar as dores.

Sessão de tortura – “Quando foi a manhã do dia 08, que trocou o plantão, veio outra equipe. Não escutaram mais o coração, ficaram chamando outros para ficarem tentando, para ver se alguém escutava o coração. Só depois de meia hora me levaram para fazer uma cirurgia de urgência porque não estavam mais escutando o coração”, acrescenta a jovem.

Em seguida, Larissa conta ter passado por uma “sessão de tortura”. Ela diz que teve os braços amarrados, enquanto a equipe médica afirmava ser este um procedimento normal para cesariana. “Eu não escutei a bebê chorar e todo mundo saiu da sala, me deixaram sozinha mais ou menos meia hora. Depois veio uma enfermeira, desamarrou meus braços e perguntei sobre minha filha e ela disse que depois a pediatra ia conversar comigo”.

A jovem foi levada para o corredor, onde recebeu a filha já morta. “O hospital e as enfermeiras não deram nenhum esclarecimento, só disseram que a bebê já saiu da barriga sem vida e não falaram mais nada. Não prometeram dar nenhum apoio”.

A advogada Flávia Andrade, que representa a jovem, espera que sejam tomadas providências em relação ao hospital. “Apesar de ser advogada, antes de tudo sou mulher, mãe, humana e hoje me encontro diante dessa situação, que é uma tragédia anunciada. O que espero é que o hospital seja interditado ou mude toda a equipe ou mude essa regra de parto normal a qualquer custo”, disse.

O caso será denunciado ao Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE). A reportagem tentou contato com o Cremepe, entidade que representa os médicos no Estado, mas, até a publicação deste texto, não houve retorno.

Fonte/Foto: Folhape

Envie um comentário

Carnaval 2020

Está chegando o Sábado de Carnaval22 de fevereiro de 2020
O grande dia está aqui.

Olinda Hoje no Facebook:

Previsão do Tempo:

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Junte-se a 613 outros assinantes

Categorias do Blog:

Mapa do Site:

Arquivos do Blog:

Olinda Hoje

%d blogueiros gostam disto: