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OLINDA E RECIFE TRADUZIDAS EM OBRAS DE ARTE

AuthorPostado por: Paulo Fernando    Category Em: Sem categoria     Tags

Através dos traços e entalhes dos artistas pernambucanos, Olinda e Recife ganham retratos intrigantes. Cada um ao seu estilo, eles se deixam seduzir pelas cores e cheiros das cidades-irmãs, com retratos e paisagens que fazem bater saudades nos amantes distantes. Em comemoração ao aniversário de 478 de Olinda e 476 anos do Recife, no próximo dia 12 de março, artistas plásticos apresentam obras que lembram as duas cidades. Algumas vieram à cabeça instantaneamente, outros citaram o nome de um colega. Outros ainda elencaram tantos que precisaram de um tempo para escolher. O resultado é um passeio por lembranças e imagens, trabalhos de variadas técnicas, mas sempre uma declaração de amor às duas cidades.

Roberto Ploeg indica Maurício Arraes, que na sua opinião cria paisagens urbanas que retratam o cotidiano do povo. Foto: Maurício Arraes/Divulgação.

Roberto Ploeg 

indicou Maurício Arraes


“Maurício cria paisagens urbanas que retratam o cotidiano do povo. Em sua pintura, chamam atenção as composições surpreendentes, grandes áreas coloridas quase geométricas, posturas características de quem habita o nosso Recife, como neste quadro de gente descansando do almoço num parque qualquer da cidade”


Luciano Pinheiro 

indicou Guita Charifker


“Lembro com precisão de uma aquarela (técnica na qual os pigmentos se encontram suspensos ou dissolvidos em água) de Guita Charifker. Fala do Recife através de um de seus símbolos: o atual Centro Cultural da Caixa Econômica. É uma tela primorosa. Traduz, nas cores escolhidas, um olhar delicado e amoroso sobre a cidade do Recife” 

Gil Vicente 

indicou José Cláudio


“Qualquer quadro que José Cláudio pintou da janela da casa dele representa Olinda. Mesmo quando ele pinta paisagens, ele representa as pessoas de lá. Qualquer mangueira, qualquer coqueiro tem Olinda inteira”

Renato Valle 

indicou Aloísio Magalhães


“A série de litogravuras que Aloísio Magalhães fez sobre Olinda tem uma importância muito grande. Essa série foi apresentada junto à Unesco na defesa de Olinda se tornar patrimônio histórico e cultural da humanidade. Aloísio atuou muito na área de design e arte. O trabalho dele é muito representativo na arte brasileira”


Romero de Andrade Lima 

indicou Luciano Pinheiro


“Olinda tão perto, tão irmã e tão diferente. Paredes, muros e ruas de cores e formas próprias. E as figuras que circulam pelas vias de lá. São só de lá. Luciano Pinheiro é o ‘fotografador’ dessas visões. No dia dos parabéns da cidade, os bichos malucos saem para festejar… e Luciano bate o retrato de Feliz Aniversário”

Para Dantas Suassuna, Tereza Costa Rêgo representa esse espírito de Olinda, do feminino.

Dantas Suassuna 

indicou Tereza Costa Rêgo


“Escolhi uma mulher pintora, como símbolo, porque Olinda é um nome feminino. Tereza Costa Rêgo representa esse espírito de Olinda, do feminino. E essa pintura especificamente me toca muito, por causa da Procissão do Senhor Morto, que é muito bonita. Toda obra de Tereza tem um pouco do meu universo também”


Tereza Costa Rêgo  indicou Lula Cardoso Ayres

“Fui aluna de Lula na Escola de Belas Artes. Junto com Vicente Rego Monteiro, ele promoveu uma abertura. Colocamos um pé na arte contemporânea. Lula pintava um Recife fantástico de modo muito particular. Na tela O frevo, vejo o lirismo com o qual ele trabalhava. Unia traços mais retos a curvas exuberantes”

Iza do Amparo indicou Cícero Dias

“Utilizando-se das cores tropicais, Cícero sempre buscou primar pela combinação inusitada de elementos aparentemente contraditórios, sempre de maneira única e original. No caso de Moça na praia, fica ainda mais evidente. Com um estilo muito característico, ele trabalha as cores abertas, luminosas, com composição simples”

Bruno Faria 

indicou Samico


“Qualquer obra do Samico traduz Olinda. Distante dos holofotes da Arte Contemporânea, ele segue seu ofício com amor e dedicação no seu ateliê localizado em Olinda. De lá são produzidas belíssimas e impecáveis gravuras que traduzem seu olhar sobre a vida de uma forma poética com uma das técnicas mais tradicionais da arte, a xilogravura”

Raoni Assis indicou Jeims Duarte

“Escolhi essa tela, mas, na verdade, não é simplesmente ela, é o conjunto de obras do Jeims com a temática de uma cidade destruída e reconstruída, que se desconstrói nos seus princípios. Ele deixa de lado a exaltação da beleza e usa a arte para o que ela foi destinada: discutir e comunicar com propriedade e consistência”

Saiba Mais


Os autores das obras citadas pelos colegas artistas do Recife e de Olinda

Luciano Pinheiro

Nascido no Recife, em 1946, Luciano Pinheiro abraçou o universo da arte ao conviver com os fundadores do Ateliê da Ribeira, em Olinda, na década de 1960. Ajudou a fundar, em 1977, a Oficina Guaianases de Gravura. Uma das facetas mais reconhecidas de seu trabalho é a da gravura em madeira, embora ele também tenha se dedicado à pintura e ao desenho.

Tereza Costa Rêgo

Filha de uma família tradicional, ingressou na Escola de Belas Artes com 15 anos e realizou a primeira grande exposição aos 33, em 1962. Viveu na clandestinidade quando o companheiro Diógenes Arruda, dirigente do Partido Comunista, foi preso, exilou-se no Chile e depois em Paris. De volta ao Brasil, em 1979, firmou-se como artista plástica.

Maurício Arraes

Maurício Arraes desenvolveu uma pintura direta, tecnicamente resolvida com a simplicidade da aquarela, ainda que pintada a óleo ou acrílico. Em recente exposição, em 2012, retratou, em 25 telas inéditas, a peculiaridade do cotidiano e a poética do subúrbio. Aliás, o artista é afeito por paisagens urbanas e tipos humanos.

Guita Charifker

Guita é uma das principais aquarelistas da cena local. Recifense, em 1953 ingressou no Atelier Coletivo da Sociedade de Arte Moderna do Recife, onde se tornou aluna de Abelardo da Hora. Foi uma das criadoras do Atelier da Ribeira (1964) e da Oficina 154, ambos em Olinda. Organizou o Ateliê Coletivo, também na Cidade Alta.

Lula Cardoso Ayres

Nasceu no Recife, no dia 26 de setembro de 1910. Começou a estudar desenho e pintura aos 12 anos. Morou em Paris, onde teve contato com a arte moderna. Viveu no Rio de Janeiro e voltou para Recife em 1932. Pesquisou a realidade regional. Fotografava e depois desenhava de cor vários tipos nordestinos. Morreu no dia 29 de junho de 1987.

Cícero Dias

Um dos grandes modernistas do Brasil, Cícero nasceu em Escada. Estudou na Escola Nacional de Belas Artes, foi para a Europa e passou a viver em Paris, onde participou do grupo Espace. Na Segunda Guerra Mundial, foi para Portugal. No Recife, elaborou o primeiro mural em pintura abstrata sul-americana. Morreu em 2003, em Paris.

Jeims Duarte

Artista plástico paraibano radicado no Recife, integra uma nova geração de artistas. Mestre em design pela UFPE, aposta em desenho e escultura. Nos seus trabalhos, um conjunto de obras cuja temática se baliza pelas relações entre o traço e a perenidade, entendida menos como um fator de degradação do que como agente transformador.

José Cláudio

Ipojucano, nasceu em 1932 e se mudou para o Recife ainda adolescente para estudar direito, curso que largou em 1952. Foi integrante do Ateliê Coletivo, de Abelardo da Hora, e frequentou os ateliês de Mário Cravo e Caribé, na Bahia, além de trabalhar com Di Cavalcanti e Lívio Abramo. Também tem sucesso na literatura.

Aloísio Magalhães

Pintor, designer, gravador, cenógrafo e figurinista, nasceu no Recife em 1927. Estudou gravura com Stanley William Hayter, em Paris, e artes gráficas e programação visual, nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, na década de 1960, abriu escritório pioneiro voltado à comunicação visual. Faleceu em Pádua (Itália) em 1982.

Samico

Nascido no Recife em 1928, é conhecido pela produção de gravuras em madeiras, com influências do cordel e da cultura nordestina como um todo. Iniciou a carreira como pintor autodidata como, no fim da década de 1940, mas se destacou como gravurista, tendo como mestres Lívio Abramo e Oswaldo Goeldi.

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