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PATRIMÔNIO CULTURAL DA HUMANIDADE PRECISA DE MAIS ATENÇÃO

AuthorPostado por: Paulo Fernando    Category Em: Sem categoria     Tags

Em uma de suas canções, Capiba (1904-1997) evidenciou o desejo de ter sua Olinda eterna, para que sempre vivesse em seu coração. Se o compositor fosse vivo hoje, provavelmente não aprovaria uma cidade cujos patrimônios culturais estivessem – assim como a promessa de eternidade – comprometidos. Nesta semana, entretanto, a cidade que estaria perigando perder o título de Patrimônio Cultural da Humanidade (de acordo com ofício encaminhado pelo Ministério Público de Contas de Pernambuco à Unesco, em abril) recebeu duas notícias que sinalizam mudanças positivas.
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas destinou R$ 61,770 milhões ao município, verba que beneficiará 14 dos 23 projetos inscritos pela cidade, como a restauração de igrejas e o Cine Duarte Coelho, praticamente em ruínas. Além disso, a Prefeitura de Olinda e a população do Sítio Histórico entraram em um consenso referente ao projeto de revitalização física e funcional do Mercado Eufrásio Barbosa, orçado em R$ 11 milhões.
Jorge Farias/Folha de Pernambuco


O impasse em relação ao mercado se deu porque a população – em parte representada pela Sociedade Olindense de Defesa da Cidade Alta (Sodeca) – não concordava com o projeto inicial que incorporava ao espaço um museu, restaurantes e um cineteatro, ao invés do funcionamento de um mercado público autêntico. À época, foi questionado: “Como manter um equipamento cultural dessa magnitude se tantos outros estão desativados ou em reforma há anos?”.

Como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), financiador da obra, só liberaria a verba depois de aprovação popular, os moradores foram convocados para repensar, ao lado da Prefeitura, alguns pontos do projeto. O prazo, já prorrogado, foi até sexta-feira passada (23). “O resultado foi positivo. É um projeto conciliatório”, explicou Cláudia Rodrigues, secretária executiva de Patrimônio e Cultura de Olinda. A Sodeca afirmou, via Facebook, que as reivindicações feitas no ato “Ocupe Eufrásio”, em 10 de agosto, foram debatidas e aceitas pela Prefeitura. “O consenso partiu da análise de que o espaço poderia aglutinar tanto a função do mercado como a sua utilização de equipamento cultural (…)”, frisou.
Jorge Farias/Folha de Pernambuco


Já a situação precária dos outros equipamentos culturais olindenses deve ser sanada, em parte, com a verba do PAC. Estão previstas obras de restauração no Cine Teatro Duarte Coelho (tão lendário quanto o Cine Olinda), em patrimônios religiosos (Igrejas do Bonfim e São Pedro Mártir, Mosteiro de São Bento) e no Casarão Hermann Lundgren, que vai dar lugar ao Centro da Memória de Olinda. “Vamos trabalhar na viabilização de todos esses projetos. Ainda não é possível ter previsão de prazos, já que cada projeto tem um nível diferente de avanço. Hoje (26), teremos uma reunião com o Ipham para que possamos dar início às licitações”, adiantou Cláudia Rodrigues.

Casarão Hermann Lundgren – Funcionou dos anos de 1980 até 2006 como Centro de Criatividade Musical de Olinda, no Carmo. Lá havia de aulas de teoria à prática musical. Hoje abandonado, funciona como “banheiro” e depósito de latinhas de cervejas e refrigerantes no Carnaval. Com o PAC, vai se transformar no Centro da Memória de Olinda.
Jorge Farias/Folha de Pernambuco


Cine Duarte Coelho – O prédio histórico na Praça Coronel João Lapa, no Varadouro, foi inaugurado em 1942 e funcionou como cinema até os anos 1980. Em 1998, na gestão da prefeita Jacilda Urquiza (PMDB), recebeu R$ 800 mil para reforma, que não aconteceu nas gestões posteriores. Hoje apedrejado, já foi invadido várias vezes. Com o PAC, vai sediar a Escola de Cine Animação.

    Cine Olinda – Um dos cinemas mais movimentados do Estado entre as décadas de 1930 e 1970, o imóvel passa por reformas há dez anos. Segundo a Prefeitura, será reaberto como Cine Olinda Convenções, com cine-teatro de 320 lugares, sala multimídia e auditório. Só a fase final do projeto mais recente custou R$ 2.173,913,04.

    Jorge Farias/Folha de Pernambuco


    Museu de Arte Contemporânea de Olinda (MAC) – Propriedade da Fundarpe, fundado em 1966, na Rua 13 de Maio, tem um dos acervos mais ricos da América Latina. No fim de julho, uma exposição que seguiria até 18 de agosto, foi interrompida para uma reforma, sem aviso prévio. Os valores da obra não foram revelados. 

    Em agosto de 2010, o quadro “Enterro”, de Cândido Portinari, foi roubado, mas depois devolvido. O caso alertou para a falta de estrutura e de segurança dos equipamentos culturais da cidade.

    Elevador Panorâmico do Alto da Sé – Inaugurado em outubro de 2011, para facilitar o trajeto dos visitantes ao topo da caixa d’água de Olinda, está quebrado há mais de cinco meses. Hoje, para acessar o mirante, é preciso subir uma escadaria de 123 degraus. Segundo a Prefeitura, uma peça “muito específica” do equipamento queimou e já foi aberto um edital para licitação. O prazo é até o fim deste ano.
    Mercado Eufrásio Barbosa – O espaço passará por uma revitalização física e funcional, orçada em R$ 11 milhões. Desativado como mercado público desde 2006, o espaço tem hoje cerca de 60% da estrutura comprometida.

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