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POR UMA EDUCAÇÃO REAL PARA PROFESSORES E ESTUDANTES

AuthorPostado por: Paulo Fernando    Category Em: Sem categoria     Tags

Edvan Ratis


Os fatos trazidos pela professora Amanda Gurgel, do Rio Grande do Norte (RN), através do youtube, na internet, vídeo postado em 15/05/2011, vem chamando a atenção dos pernambucanos e internautas. Acredito que não sejam diferentes as verdades proferidas por ela entre outros estados e municípios desta República Federativa do Brasil, especialmente em Pernambuco, que vez por hora acontece manifestações, mobilizações de classe, paralisações parciais e greves gerais.

O desabafo emocionado da nobre professora é de grande constrangimento, é uma VERGONHA para os parlamentares de grande escalão que se mantêm com cifras 30 vezes mais do que um(a) simples professor(a) que estuda tantos anos para servir ao país, na educação dos filhos deste solo, considerada “és mãe gentil, Pátria amada, Brasil!”, enquanto muitos “Excelentíssimos Senhores”, por vezes não atingiram o grau completo de instrução e acadêmico, ganham gratuitamente benefícios legislados e garantidos por lei, através do suor de todos os trabalhadores honestos que pagam os seus impostos. E o que é pior, quando tem oportunidade de fazerem algo, simplesmente esquece.

A consequência da falta de atenção com estes profissionais recaí sobre os estudantes de todo o Brasil, onde encontramos professores altamente desmotivados e, assim, repassando um planejamento de ensino de péssima qualidade, prejudicando a grade escolar e curricular do aluno que almeja um estudo de qualidade para concorrer igualitariamente com o ensino privado. 

É notório vermos propagandas fantásticas sobre a educação do Brasil, é muito bonito sonhar. Mas a realidade é outra, parece uma contradição. Nem tudo chega para o Nordeste. Isso é LASTIMÁVEL!

Deixo um exemplo: Tenho duas filhas gêmeas de 10 anos; desde os seis anos de idade começaram a estudar na escola privada, seguindo um ritmo de ensino. Em 2011, tive que colocá-las na rede pública de ensino do estado de Pernambuco. Todos se maravilharam com o desempenho delas. Em 2013, coloquei-as na rede privada de ensino novamente. Resultado: o índice de aproveitamento delas e de desempenho cairam para uma média de 40%. Sabe como foi que fiquei sabendo? Através de uma avaliação pedagógica e de sondagem antes de começar o ano letivo para que a escola particular detectasse os futuros problemas pedagógicos delas e na oportunidade foi constatado que em muitas questões, o assunto não foi devidamente repassado no tal planejamento de ensino da rede pública. Existe ou não diferença de ensino?

Iguais a elas há outras crianças, jovens e adultos. Como chegarão à universidade? Alimentando sempre este sistema educacional falho, ilusório e desigual, onde somente os curseiros e charlatões estão se beneficiando dos pobres coitados dos pais/mães que se matam de trabalhar para sustentar e garantirem uma educação boa e eficiente que é a mais cara do mundo?

Para uma nação que diz estar com uma economia estabilizada e que somos um país economicamente falando: sociocapitalista, a igualdade social está bem distante, como a educação também. A minoria é que goza dessa educação de qualidade, apenas os que podem bancá-la!

De acordo com o Sindicato dos Professores, eles enfatizam que apesar das evoluções que ocorreram na educação durante esses últimos anos no estado de Pernambuco, ainda falta um sistema educacional que funcione de forma mais sistemática. Em contrapartida: “As condições de trabalho não avançaram, ainda continuamos com um dos piores pisos salariais do país. Falta englobar a educação do nosso estado e melhorar a formação dos educadores”. É preciso um investimento público maior, além de uma regulamentação eficaz no setor privado de educação.

Acompanhando os noticiários, o Fantástico apresentado aos domingos pela Rede Globo, no dia 17 de março de 2013, noticiou reportagem sobre brasileiros que foram admitidos nas melhores universidades dos Estados Unidos, bem como a maneira de conviver, de como os alunos encaram as aulas, suas tecnologias e metodologias, além de aproveitarem bem o tempo e desempenho escolar dentro das universidades. Por aí, imaginamos como o nível de ensino deve ser e como os professores são valorizados.

Espero não estar fazendo mau juízo dos políticos que deveriam lutar pelos interesses da população como um todo e não por setores ou interesses incomuns. Mas, vocês pensam no futuro dos professores? Será que existirão os professores no futuro? Eis, aí a questão… Os problemas da educação no país são os mesmos de décadas atrás. Somente mudou de nomenclatura, houve uma crescente melhoria? Teve, mas em pequenos passos para ambos os lados: estudantes e professores. 

Denúncias e reclamações são feitas por estudantes que dentre as aberrações cometidas pelo estado e que prejudicam o ensino e a aprendizagem, está o fato de professores terem de lecionar matérias nas quais não são habilitados. Por exemplo, “professora de Física que é licenciada em Biologia”. 

O Governo do Estado tenta esconder, mas os problemas da educação pública no nosso estado não ficam por aí. No ensino médio, temos altas taxas de distorção por idade e série, de reprovação e de abandono. Está provado e comprovado que não há educação de qualidade sem investimento concreto na valorização profissional e salarial dos professores e dos funcionários.

Peço a sensibilidade dos senhores parlamentares: vejam que desigualdade, o salário máximo que um deputado federal pode ganhar por mês é aproximadamente R$ 26.700,00 sem falta parlamentar. Adicionado a cota para custear despesas, gera um valor de R$ 34.200,00, totalizando aproximadamente um valor de R$ 60.900,00 por mês – ou mais. E quanto vale um professor por mês, de classe vulgarizada, desrespeitada por vândalos que se travestem de alunos e que na realidade somente vão espalhar o temor e a comercialização de produtos esdrúxulos e viciantes dentro e fora das escolas públicas,  compartilhando insegurança? Ganham um pouco mais de R$ 1.500,00 a R$ 2.200,00 por mês. Lembremos que estes valores variam de estado e município. E, interessante: para baixo. Isto em relação aos altos salários de políticos de “alto escalão”, mais as mordomias.

Observo e por questão de sugestão deixo registrado: é considerado “efeito cascata”, o quadro do piso salarial para o corpo docente do estado de Pernambuco deve ser reformulado e melhorado. Até, então, não podemos esquecer-nos dos professores de nível fundamental que muitas das vezes estão atrelados aos contratos municipais e mal conseguem viver do que ganham e não possuem dinheiro para custear a passagem de ônibus para se locomoverem da sua casa até à escola, por terem os salários mais baixos do Brasil. 

Atento aos últimos acontecimentos, o Governo de Pernambuco apresentou uma proposta à categoria dos professores e tal proposta é tão ruim, digamos VERGONHOSA, que logo ao ser anunciada foi recebida com indignação e consequentemente rejeitada por professores e funcionários. Mais uma vez, quem ficará no prejuízo? OS ESTUDANTES!

Outro fator que todos nós enfrentamos, estudantes e professores: a pressão psicológica dentro da sala de aula, a falta de segurança nas escolas e outros pontos que somente quem convive numa família escolar sabe. Principalmente às escolas que estão participando da INCLUSÃO ESCOLAR pelo EJA. Como se implanta uma proposta educacional agrupando ao mesmo tempo estudantes com necessidades educacionais especiais, estudantes normais e estudantes/infratores que estão passando por alguma medida sócio-educativa sob o acompanhamento do Poder Judiciário, todos numa só unidade escolar? Dá para entender isso? Aqui no Recife (PE), temos um exemplo: a Escola Valdemar de Oliveira, que deixou de ser uma Unidade Escolar do Supletivo do Ensino Médio para ser um Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEJA) e que esta novidade, pelo que percebemos, não está aderindo muito bem, pois todos os dias alunos e professores ficam apreensivos com os comportamentos daqueles que estão lá para se socializarem, ou seja, a escola está se tornando uma verdadeira Delegacia de Polícia.

Por medo, pais/mães/responsáveis dos estudantes de necessidades especiais não deixam seus filhos e filhas sozinhos sob a responsabilidade dos profissionais temendo que ocorra algum risco de vida. Já outros pais/mães acompanham de longe seus filhos normais com medo que eles tenham contato com pessoas que utilizam drogas lícitas e ilícitas. 

Além da depredação do imóvel público que é notável, todos os dias são janelas quebradas, bebedores, peças de ventiladores são retiradas para venderem, bacias sanitárias, acessórios e etc. Podemos confirmar todas estas informações com a própria Gestão Escolar, que há meses vêm, desde a implantação da inclusão social na escola, coletando provas e detectando os “estudantes” causadores desta perturbação. Os professores da referida instituição são muitas vezes agredidos verbalmente pelos vândalos (alunos e alunas) que se dizem quererem se ressocializar. Desta forma? Cadê as autoridades? Cadê a Secretaria de Educação? Cadê o Governo Estadual? Sabemos que a inclusão escolar está presente nos dias de hoje, estimulando a presença de pessoas com necessidades educativas especiais nas escolas regulares tanto públicas quanto particulares. Hoje em dia se busca a adaptação das aulas montadas para atender os alunos dentro de suas dificuldades. O que podemos notar é que se trata de um assunto que necessita, ainda, de maior atenção e empenho por parte dos governos estadual e federal. 

Estou ciente que essa proposta atual visa assegurar que todos os alunos possam ter acesso às oportunidades educacionais e sociais oferecidas pela escola, impedindo a segregação e o isolamento. Essa política foi planejada para beneficiar a todos os alunos, incluindo os portadores de necessidades especiais. Adianto, não sou contra esta inclusão escolar. Mas, sou a favor de que ela seja bem planejada antes de ser executada na escola pública, até porque a principal educação, que é a base de toda a família, a educação doméstica, está, cada vez mais, sumindo e sendo transferida para as escolas.

Reflitam: – Que ambiente é este da Escola Pública de Pernambuco, hein? Bem diferente dos gabinetes luxuosos com ar-condicionado, apetrechos delicados, pessoas educadas e instruídas; carros oficiais à disposição a seu bem prazer, moradias sustentadas pelo povo brasileiro através dos impostos pagos.

Caros presidenciáveis e pré-candidatos à reeleição, inspirados políticos a deputados e senadores, analisem bem estas palavras mal escritas (caso tenha escrito alguma frase fora da colocação verbal ou nominal, a culpa são de vocês que não valorizaram o meu professor de português e ele teve que mudar de profissão para ganhar bem e ficou com vergonha de ser chamado de PROFESSOR). É triste, mas é uma realidade. 

Vamos abraçar nossos mestres; sem eles, nós não somos nada.

Não seríamos secundaristas, universitários, acadêmicos, médicos, professores, engenheiros, políticos, artistas, sociólogos, filósofos, advogados, padeiros, teólogos, homens e mulheres de bem. Já falava Paulo Freire: “A educação modela as almas e recria os corações. Ela é a alavanca das mudanças sociais.”

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