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fev
8

Maracatus são diferentes: de “Baque Virado” ou de “Baque Solto”

AuthorPostado por: Acioli Alexandre    CategoryEm: Carnaval     Tags , ,

Alexandre Acioli

“Maracatus são todos iguais”. Esta é uma afirmação de quem não conhece as manifestações culturais brasileiras e, sobretudo, pernambucanas.

Basta apenas um pouco de atenção e logo se vê que os maracatus são diferentes. Iguais só na alegria.

Os maracatus se diferenciam, sim. E, muitos que se apresentam como tal, chegam, no máximo, à categoria de “grupos percussivos”, que tocam samba, rock, reggae, MPB, brega, hip-hop e, quando muito, reproduzem alguma sonoridade dos maracatus-nação, mas sem qualquer compromisso com os valores, a cultura e a religiosidade. Isso torna-se uma ameaça à tradição e contribui, inclusive, para a descaracterização dos autênticos grupos mantenedores de uma praxe com fortes vínculos com os terreiros das religiões de matriz africana, especialmente o Candomblé e a Jurema.

Folião não precisa ter conhecimento aprofundado sobre os maracatus, mas é interessante, pelo menos, saber o que diferenciam esses grupos de brincantes.

Não cabe aqui aprofundar essa discussão, mas quem se interessar pelo tema poderá recorrer à leitura de alguns escritos de pesquisadores como Câmara Cascudo, Mário de Andrade e Guerra Peixe, que centraram a atenção na questão da origem dessas manifestações artísticas e culturais.

Em Pernambuco temos Maracatus de Baque Virado (Maracatu Nação) e Maracatus de Baque Solto (Maracatu Rural, de Orquestra ou de Trombone). São manifestações com características diferentes e bem definidas. Os elementos que compõem os grupos diferem nos personagens, na estrutura estética, nos instrumentos e nas particularidades musicais. O olhar mais atento, a escuta das loas e toadas bastam para identificá-los e diferenciá-los.

O Maracatu de Baque Virado (foto1) tem suas origens na instituição dos reis negros, conhecida em Portugal desde o século XVI. Em Pernambuco, os estudos apontam o ano de 1674 como data dos primeiros registros de coroações de soberanos do Congo e de Angola, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Recife. Esses cortejos passaram a acontecer também no Carnaval e receberam, na época, a denominação de maracatus – conotação pejorativa para denominar “ajuntamento de negros”.

Já o Maracatu de Baque Solto surgiu na Zona da Mata Norte pernambucana, no final do século XIX, como “brincadeira de cambindas” (homens que se vestiam de mulher), uma brincadeira eminentemente masculina. É o resultado da junção cultural de diversos folguedos populares da região canavieira, como o bumba-meu-boi, o pastoril, o cavalo-marinho e o reisado. Nele não existe a Corte Real e o seu maior destaque é a presença do caboclo de lança (foto2), também chamado de lanceiro ou caboclo de guiada.

Os personagens também são diferentes. As figuras tradicionais dos Maracatus Nação são o Porta-Estandarte (algumas nações denominam Porta-Bandeira); a Dama do Paço, mulher responsável pela condução da calunga (ícone detentor do axé do maracatu); Rei e Rainha (ostentam uma espada e um cetro, sob um guarda-sol – ou pálio – colorido, carregado por um Pajem); Damas de Frente, Damas-de-honra (geralmente crianças, que mantêm suspensas as capas do casal real); as Baianas de Cordão (dispostas em fileiras nas laterais da corte, com roupas de tecidos estampados); Baianas Ricas (vestidas de branco, com turbantes e cordões coloridos que fazem alusão à cor de cada orixá); Príncipe e Princesa, Embaixador e Embaixatriz, Duque e Duquesa, Conde e Condessa, Vassalo (que abana o Rei e Rainha), Lampiões (escravos que conduzem abajus), Balé de Escravos (com ferramentas de trabalho) e o Caboclo “Arreia Mar” (Caboclo de Pena), com arco e flecha, figura vinculada especialmente às práticas da Jurema Sagrada.

A orquestra é formada apenas por instrumentos de percussão (tarol, caixa de guerra, gonguê, alfaias, abês e atabaques). O comando do batuque (ou baque) é do Mestre de Apito, que conduz as batidas e toadas, também chamadas de zuelas ou loas.

Nos Maracatus Rurais encontramos a bandeira (ou estandarte), conduzida pelo bandeirista, trajado à Luiz XV. Compõem também o cortejo as figuras do Mateus e da Catirina (ou catita), o Babau, a burrinha e o caçador; o vassalo, os carboreteiros (lampiões), a Dama do Paço, também chamada de madrinha e o cordão de baianas.

Os caboclos de lança, transformados em símbolos da cultura pernambucana, são um destaque à parte: rostos pintados, óculos escuros e cravo branco na boca; vestem camisas estampadas, de mangas longas; e calças de chita com franjas. Carregam nas costas um surrão onde estão presos os chocalhos (em número ímpar, “para não dar azar”). Na cabeça, um lenço e uma enorme cabeleira com tiras de pano colorido; nas mãos, uma lança de madeira medindo cerca de dois metros.

As manobras, ordenadas pelo Mestre, são feitas em torno do cortejo. Esse tipo de maracatu apresenta quatro tipos de cantoria: marcha (sempre de quatro versos), samba curto (de quatro a seis versos, o tipo mais comum), samba comprido (geralmente de 10 versos, mas podendo ter até vinte), e o galope (normalmente de seis versos).

Então folião, se você chegou até aqui, agora sabe que os “maracatus não são todos iguais”. Existem maracatus e maracatus. Diferentes, sim senhor!

fev
5

Hoje, no Sítio Histórico de Olinda, a noite é dos Tambores Silenciosos

AuthorPostado por: Acioli Alexandre    CategoryEm: Carnaval     Tags , , ,

Nesta segunda-feira, dia 05 de fevereiro, na Marim dos Caetés, será um dia de manifestação da fé e de louvação à cultura afro. Hoje à noite acontece a 17ª edição da Noite Para os Tambores Silenciosos de Olinda, com a participação de uma dezena de nações de maracatus de baque virado. A concentração será às 20h, nos Quatro Cantos (foto).

Segundo a Associação dos Maracatus de Olinda (AMO), estão confirmadas as participações dos maracatus nação Badia, Pernambuco, Sol Brilhante, Camaleão, Leão Coroado, Maracambuco, Tigre,  Estrela de Olinda e Luana. O convidado especial é o Maracatu Estrela Brilhante, de Igarassu.

Os maracatus sairão dos Quatro Cantos em cortejo pela Rua do Amparo, Largo do Amparo e Rua do Bonsucesso, até chegar ao Largo da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, onde ocorrerá a cerimônia cultural-religiosa.

Noite dos Tambores Silenciosos de Olinda é um evento que foi construído para celebrar e homenagear os antepassados. Durante o cortejo acontecerá, além do batuque dos tambores, os cânticos que reverenciam as entidades e os ancestrais. 

O ponto alto da festa acontecerá a meia noite, com o silêncio respeitoso dos tambores, que pedem a proteção dos orixás para a festa (Carnaval) e faz reverências à memória dos ancestrais. 

dez
29

Noite dos Tambores Silenciosos de Olinda será no dia 05 de fevereiro

AuthorPostado por: Acioli Alexandre    CategoryEm: Carnaval     Tags , ,

A 17ª edição da Noite dos Tambores Silenciosos de Olinda já tem data marcada. Será numa segunda-feira, dia 05 de fevereiro de 2018. A concentração será nos Quatro Cantos, no Sítio Histórico, a partir das 20h.

De acordo com a Associação dos Maracatus de Olinda (AMO), já estão confirmadas as participações dos maracatus nação Badia, Pernambuco, Sol Brilhante, Camaleão, Leão Coroado, Maracambuco, Tigre,  Estrela de Olinda e Luana. O convidado especial é o Maracatu Estrela Brilhante, de Igarassu.

A Noite dos Tambores Silenciosos de Olinda – assim como o do Recife – é um evento que foi construído para celebrar e homenagear os antepassados. No dia da festa os maracatus sairão em cortejo (Rua do Amparo, Largo do Amparo e Rua do Bonsucesso) até a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Alto do Rosário.  

Foto: PMO

nov
14

Homem joga veneno em crianças que ensaiavam maracatu

AuthorPostado por: Jornalismo Redação    CategoryEm: Brasil     Tags , ,

Jovens que estudam o maracatu de baque virado, em Foz de Iguaçu, no Paraná, foram vítimas de agressão durante um ensaio, na última quinta (9). Os jovens que participam do grupo Alvorada Nova, foram agredidos pelo comerciante Rosalvo Souza, enquanto tocavam em uma praça pública da cidade. Um vídeo que mostra o momento da agressão foi compartilhado pelas redes sociais.

agressão

Nas imagens, é possível ver o comerciante apontando um jato com o que seria veneno em direção aos jovens e proferindo palavras de ódio: “Cultura? Isso aí é uma vergonha, não é cultura”. Em sua página no Facebook, o grupo Alvorada Nova denunciou o ocorrido. “Somos uma das mais antigas entidades culturais do município e nunca imaginamos viver tamanha intolerância, somos artistas e com muito orgulho batalhamos pela cultura iguaçuense levando com axé a linguagem dos nossos Maracatus ao mundo. Atingir o Maracatu não é só ser intolerante, é sobretudo ser racista, e por isso afirmamos que não passará impune, e todas as atitudes necessárias já estão sendo tomadas!”, dizia o post. 

O Ponto de Cultura Alvorada Nova foi fundado em 2013, em Foz de Iguaçu, e trabalha promovendo aulas de maracatu de baque virado. O grupo vem atuando na disseminação desta tradição da cultura pernambucana, tendo, inclusive, já recebido mestres de nações do Recife para intercâmbios culturais como a Mestra Joana, da Nação Encanto do Pina e o Mestre Chacon Viana, da Nação do Maracatu Porto Rico.

Fonte: Leia Já

fev
27

MARACATUS DE BAQUE SOLTO ESTÃO HOJE NA CIDADE TABAJARA

AuthorPostado por: Acioli Alexandre    CategoryEm: Carnaval     Tags , , ,

maracatus

Esta segunda-feira (27) é o dia do tradicional Encontro de Maracatus de Baque Solto de Pernambuco, que acontece na Praça Ilumiara Zumbi, na Cidade Tabajara – Olinda.

Será a 27ª edição do Encontro de Maracatus de Baque Solto (Maracatus Rurais), criado pelo saudoso Mestre Salustiano. Começa às 9h e se estende até o final da tarde de hoje.

Estão confirmadas as participações de mais de 30 grupos de maracatus rurais (vertente do ritmo própria da zona rural), a maioria oriundos da Zona da Mata pernambucana. 

fev
26

HOJE E AMANHÃ TEM O CARNAVAL MESCLADO DA CASA DA RABECA

AuthorPostado por: Acioli Alexandre    CategoryEm: Carnaval     Tags , , ,

MARACATU

A 13ª edição do Carnaval Mesclado da Casa da Rabeca, na Cidade Tabajara, em Olinda, terá maracatu de baque solto e de baque virado, cavalo marinho, caboclinho e muito frevo. Será neste domingo (26) e segunda-feira (27) de Carnaval. A programação é totalmente gratuita.

Hoje (26), das 9h às 17h, se apresentarão os grupos de maracatus de baque virado Leão Coroado de Olinda e Estrela Brilhante de Igarassu; Caboclinho Tupã do Recife, Cavalo Marinho Boi Pintado de Aliança e Cavalo Marinho Boi Matuto de Olinda, além de Gilmar Leite e Banda, a Família Salustiano e a Rabeca Encantada.

Na segunda-feira (27), também das 9h às 17h, será o dia dos caboclinhos Índio Tupi Guarani de Buenos Aires, Índio Brasileiro de Buenos Aires, Índio Canindé Brasileiro de Itaquitinga e os Coités de Tracunhaém. Os maracatus Leão da Fortaleza, de Goiana; Carneiro Manso de Glória de Goitá, Leão de Ouro de Condado e o Leão Vencedor de Carpina; e o bloco Caravana Andaluza.

Também amanhã (27), a partir das 10h, acontecerá o tradicional 27º Encontro de Maracatus de Baque Solto de Pernambuco. Estão confirmados mais de 20 grupos de vários municípios do Estado. As apresentações serão no Espaço Ilumiara, próximo à Casa da Rabeca.

Foto: Divulgação

jan
24

COMEÇA HOJE OS ENSAIOS DOS MARACATUS NO RECIFE

AuthorPostado por: Acioli Alexandre    CategoryEm: Carnaval     Tags , ,

MARACAAs nações de maracatu de baque virado que participarão da abertura do Carnaval do Recife, no dia 24 de fevereiro, dão início nesta terça-feira (24) aos ensaios para o festejo. Este ano, os grupos farão homenagem, durante a festa de abertura, ao mestre Naná Vasconcelos, falecido em 2016 e que por 15 anos comandou o batuque na cerimônia.

Os ensaios acontecem individualmente nas sedes dos maracatus e coletivamente na rua da Moeda, no Bairro do Recife. Ao todo, 13 nações participarão da festa. Nesta terça-feira (240, o encontro será na sede do Encanto da Alegria, no bairro da Mangabeira, Zona Norte do Recife.

Os ensaios que acontecem nas sedes dos maracatus vão contar com a presença do Grupo Voz Nagô, com horário previsto para iniciar às 18h. Já os que acontecerão na Rua da Moeda, reunindo três nações a cada encontro, serão realizados sempre às sextas-feiras, a partir do dia 27 de janeiro, também às 18h.

dez
3

MARACATU SERÁ DEBATIDO NA COMISSÃO DE CULTURA EM OLINDA

AuthorPostado por: Acioli Alexandre    CategoryEm: Olinda     Tags , ,

maraca

A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados realizará, na próxima segunda-feira (05), em Olinda, sessão de debates sobre o Maracatu e A sua contribuição para a cultura brasileira. A atividade atende requerimento da deputada federal Luciana Santos (PCdoB), que pretende instituir uma data nacional para celebrar o Maracatu.

A sessão de debates foi aprovada na Comissão de Cultura, junto com uma audiência pública, ainda em 2015. A ideia é reunir pesquisadores, gestores públicos e grupos de Maracatu para conversar sobre a proposta do Dia Nacional e atualizar as realidades e perspectivas dessa expressão cultural que é patrimônio imaterial cultural brasileiro.

O encontro acontecerá no Palácio dos Governadores, sede da Prefeitura de Olinda, a partir das 9h e será aberto ao público. Uma petição online também foi criada para que pessoas de todo o país possam apoiar e opinar sobre a iniciativa: https://goo.gl/6ptsm9.

fev
8

SEGUNDA-FEIRA DE CARNAVAL É DOS MARACATUS RURAIS EM OLINDA

AuthorPostado por: Acioli Alexandre    CategoryEm: Carnaval     Tags ,

maraca

Anualmente, nas segundas-feiras de Carnaval, acontece o Encontro de Maracatus Rurais de Pernambuco, na Cidade Tabajara, em Olinda. O que acontecerá hoje (08), na Praça Ilumiara Zumbi, é o 26º, e contará com a participarão de 40 grupos oriundos da Zona da Mata pernambucana.

O momento proporciona uma verdadeira imersão na cultura popular, remontando as raízes culturais do Estado. O espetáculo está previsto para iniciar às 9h. Todos os grupos que irão se apresentar são de maracatu de baque solto, vertente do ritmo que é própria da zona rural.

As apresentações, portanto, refletem mais do que um estilo musical, mas a própria cultura e a vida do pernambucano interiorano, emanadas na forma de som.

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